DA BANALIDADE DO ÓDIO

A ESCURIDÃO DO ESPELHO EM QUE NOS MIRAMOS

Palavras-chave: ódios – currículos – cotidianos

Resumo

O artigo discute o ódio como prática social de anticoesão no contexto de um “tsunami neoliberal global conservador” (SÜSSEKIND, 2018). Argumentamos que o tsunami se alimenta de ódio, desejo de aniquilação do outro e do apagamento da diferença (SUSSEKIND, 2017; 2018a; OLIVEIRA, SÜSSEKIND, 2018), maquina resultados institucionalizados (Base Nacional Comum Curricular, Escola sem Partido) e se nutre de atitudes e sentimentos individuais e sociais de banalização do mal(ARENDT, 1999) nas tessituras da vida cotidiana. Conversando com as teorias de Arendt sobre a relação entre cidadania e o ódio e sustentando a defesa de que a luta pela democracia exige a valorização da diferença na relação com o outro, discutimos episódios da série Black Mirrorentrelaçados aos nossos estudos nos dos com oscotidianosnas escolas e universidades em que vivemos e criamos conhecimentos, na busca por indícios (GINZBURG, 1989) que nos ajudem a entender mais sobre a autorização aos ódios, preconceitos, perseguições declaradas especialmente a professores, gestores e pesquisadores nesse espelho (SÜSSEKIND, PRESTES, 2017) em que nos miramos como sociedade, desenhada e cindida por linhas abissais (SANTOS, 2007). Um espelho de escuridão.

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Publicado
2020-05-29
Como Citar
Süssekind , M. L., Pimenta , A., & Ferreira, D. A. (2020). DA BANALIDADE DO ÓDIO: A ESCURIDÃO DO ESPELHO EM QUE NOS MIRAMOS. REVISTA COMMUNITAS, 4(7), 19-33. Recuperado de https://periodicos.ufac.br/index.php/COMMUNITAS/article/view/2792
Seção
Dossiê Temático