A INVIABILIDADE DA EXPERIÊNCIA HUMANA EM DIÁRIO DA QUEDA

Palavras-chave: literatura contemporânea, literatura brasileira, crítica literária

Resumo

Este presente artigo se trata de uma análise do livro Diário da Queda (2011), do escritor gaúcho Michel Laub, cujo foco é o que o narrador determina como “a inviabilidade da experiência humana em todos os tempos e lugares”. Para tanto, utilizaremos a definição de experiência defendida por Walter Benjamin (1987), problematizando o posicionamento do narrador dentro do referido assunto: a transmissão de experiências entre gerações. Em um segundo momento, utilizaremos os estudos de Stuart Hall (1992) para analisar o indivíduo fragmentado que o narrador se revela ser em sua particular crise de identidade. Por fim, discutiremos a obra em caráter testemunhal ainda às voltas com a definição da experiência como inviável, observando os fragmentos de memória presentes no discurso do narrador ancorados nos estudos de Seligmann-Silva (2008/2010) e Michael Pollak (1989) dentre outros autores com a intenção de compreender o caráter indizível de memórias traumáticas, tornando mais claro o monólogo entre o narrador e o narratário.

Referências

BENJAMIN, W. Experiência e Pobreza, trad. Sergio Paulo Rouanet. In: Walter Benjamin – Obras Escolhidas, vol. 01, Magia e Técnica, Arte e Política. Ensaios sobre a Literatura e História da Cultura. São Paulo: Brasiliense, 1987.
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Publicado
2020-12-15
Como Citar
VICENTE CARNEIRO, A. P. A INVIABILIDADE DA EXPERIÊNCIA HUMANA EM DIÁRIO DA QUEDA. Communitas, v. 4, n. 8, p. 80-92, 15 dez. 2020.