LÉSBICAS QUE (NÃO) SAEM DO ARMÁRIO:

UMA LEITURA DE TRÊS CONTOS DE NATALIA BORGES POLESSO

Palavras-chave: literatura brasileira; protagonismo lésbico; existência lésbica; heterossexualidade compulsória; epistemologia do armário

Resumo

Este artigo propõe uma leitura de três contos selecionados da coletânea Amora, da escritora brasileira Natalia Borges Polesso: “Vó, a senhora é lésbica?”, “Minha prima está na cidade” e “As tias”, no intuito de dar visibilidade à literatura nacional contemporânea escrita por mulheres – e, mais especificamente, por mulheres lésbicas – cujas personagens são também mulheres em relações homossexuais não estereotipadas. A partir das reflexões sobre a epistemologia do armário por Eve Kosofsky Sedgwick (1993) e a heterossexualidade compulsória e existência lésbica por Adrienne Rich (1980), observa-se de que maneira as personagens homossexuais são representadas no texto literário, como encaram a experiência e a identidade lésbica e quais mecanismos usam para decidir se é seguro ou não sair do armário. As narrativas sugerem que, embora possam criar ambientes e dinâmicas próprias para encontrar um sentido de identificação e segurança, as mulheres lésbicas se veem constantemente forçadas a negociar com o que se convencionou chamar de armário.

Referências

BUTLER, Judith. Corpos que pesam: sobre os limites discursivos do corpo. LOURO, Guacira Lopes (Org). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.
COSTA, Angelo Brandelli; NARDI, Henrique Caetano. O casamento “homoafetivo” e a política da sexualidade: implicações do afeto como justificativa das uniões de pessoas do mesmo sexo. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 23, n.1, p. 137-150, 2015.
FOUCAULT, Michel. Os anormais. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
POLESSO, Natalia Borges. Amora. 4. ed. Porto Alegre; São Paulo: Não Editora, 2017.
POLESSO, Natalia Borges. Diálogos possíveis: entrevista com Natalia Borges Polesso. [Entrevista cedida a] Paulo Dutra. Journal of Lusophone Studies, Stanford, v. 3, n. 2, 2018. Disponível em: https://jls.apsa.us/index.php/jls/article/view/238. Acesso em: 21 jul. 2020.
RICH, Adrienne. Heterossexualidade compulsória e existência lésbica. Bagoas, Natal, n. 5, p. 17-44, 2010.
ROIZ, Diedra; NEVES, Manuela (Org.). [in]contadas: aquelas que não podem falar dizendo o que não deve ser dito. Franca: Vira Letra, 2017.
SCHMIDT, Rita Terezinha. Centro e margens: notas sobre a historiografia literária. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n. 32, jul./dez. 2008.
SEDGWICK, Eve Kosofsky. A epistemologia do armário. Tradução Plínio Dentzien. Cadernos Pagu, Campinas, n. 28, p. 19-54, jan./jun. 2007.
SOARES, Gilberta Santos; COSTA, Jussara Carneiro. Movimento lésbico e movimento feminista no Brasil: recuperando encontros e desencontros. labrys: estudos feministas, jul./dez. 2011 – jan./jun. 2012.
Publicado
2020-12-15
Como Citar
VEINGARTNER FAGUNDES, A. LÉSBICAS QUE (NÃO) SAEM DO ARMÁRIO:: UMA LEITURA DE TRÊS CONTOS DE NATALIA BORGES POLESSO. Communitas, v. 4, n. 8, p. 51-63, 15 dez. 2020.