GÊNERO DE FRONTEIRA:

A NARRATIVA COMO ESTRATÉGIA DE COMPREENSÃO DO COTIDIANO

Palavras-chave: Narrativa, Crônica, Florentina Esteves, Cotidiano.

Resumo

A narrativa é lida neste artigo como um gênero fronteiriço capaz de captar o cotidiano amazônico de modo singular e revisitar estereótipos que perduram na construção discursiva da região. Por meio dela, o espaço e o tempo amazônico são recontados de uma perspectiva local e cativante. As noções de estereótipo e mostração exploradas pela socioantropologia do cotidiano de Michel Maffesoli, bem como, os estudos do imaginário de Gaston Bachelard e Gilbert Durand foram fundamentais para a leitura das narrativas/crônicas de Florentina Esteves. A crônica é narrativa e se faz fenômeno e método da leitura proposta. É instrumento de autoconhecimento e de conhecimento do outro. Proporciona uma reflexão sobre a narrativa enquanto forma textual, poética do cotidiano, jeito peculiar de dizer o dia-a-dia e suas complexidades.

Biografia do Autor

Maria José Silva Morais Costa, Universidade Federal do Acre

Doutorado em Educação pela Universidade Federal Fluminense (2012) e mestrado em Teoria Literária pela Universidade de Brasília (2006). É especialista em Literatura Brasileira pela PUC-Minas (2004), com graduação em Letras Vernáculas pela Universidade Federal do Acre (1996). Tem experiência docente nos diversos níveis de ensino, pois foi alfabetizadora, lecionou no Ensino Fundamental e no Ensino Médio e serviu na Secretaria de Estado de Educação do Acre como Coordenadora Pedagógica no Ensino Infantil. Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal do Acre Campus Floresta. Dedica-se à observação de fenômenos que se dão nas interfaces entre as áreas de Letras e Educação, mais especificamente no âmbito da teoria literária, da literatura de expressão amazônica, da leitura analítica de contos e outras textualidades artísticos/literárias, todos eles cotejados como instâncias propícias à problematização da leitura como ação de aprimoramento do humano. O espaço de concreção dessas reflexões é o GIL - Grupo de Investigação sobre Leitura e Recepção de Textos, grupo de pesquisa da Universidade Federal do Acre do qual é líder. Coordena o Programa de Pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens - PPEHL da Universidade Federal do Acre aprovado pela Capes em 2018.

   
Iduina Edite Mont Alverne Braun Chaves, Universidade Federal Fluminense

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará(1975) e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo(1998). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal Fluminense. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino-Aprendizagem. Atuando principalmente nos seguintes temas:Cultura Organização Imaginário sócio-antropologia. 

Deolinda Maria Soares de Carvalho, Universidade Federal do Acre

Possui graduação em Letras Vernáculo pela Universidade Federal do Acre (1996), mestrado em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2001) e doutorado em Educação pela Universidade Federal Fluminense (2012). Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal do Acre. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Linguística Histórica e Língua Latina, atuando principalmente nos seguintes temas: cultura e imaginário, formação de professores, conto literário e história da língua portuguesa.

Referências

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Publicado
2019-12-10