(NÃO) VAMOS FALAR SOBRE DIVERSIDADE

O silenciamento na formação de docentes no século XXI

Autores

Palavras-chave:

Formação inicial; diversidade;, licenciaturas; currículo.

Resumo

A formação docente é um momento crucial para o processo de constituição docente, ela orienta a prática do professor e faz dele um especialista na sua área. Esta formação deve contemplar a teoria, metodologia, didática, prática e a práxis educacional, e acima de tudo, os valores de uma sociedade democrática e cidadã. Todavia, o que pode ser constatado é que os documentos norteadores da formação de professores no Brasil vêm sistematicamente silenciando em seus currículos, tudo que está relacionado à diversidade. Esse silenciamento é intencional e busca escamotear temas tidos como polêmicos, quando não, devido a questões mercadológicas, esse e outros temas não são abordados nos cursos de licenciatura, pois a formação é extremamente aligeirada, tendo pouco tempo/espaço para esses estudos. O presente estudo pretende analisar como a formação inicial de professores no Brasil está silenciando em seus currículos os estudos relacionados com a diversidade.

Biografia do Autor

Liane Vizzotto, IFC/Camboriú-SC

Doutora em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e graduada em Pedagogia (UnC). Docente do Instituto Federal Catarinense - IFC (Campus Concórdia/SC) e do PPG Educação (Camboriú/SC). Desenvolve pesquisas no campo das políticas educacionais com foca na relação público-privada e na inclusão. O destaque atual na pesquisa está na análise dos elementos que contribuem para a construção da relação público-privada na educação.

Referências

ALGEBAILE, E. Escola sem Partido: o que é, como age, para que serve. In: FRIGOTTO, G. (Org.). Escola “sem” partido: Esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira. Rio de Janeiro: UERJ/LPP, 2017, p. 63-74, 2017.
APPLE, Michael. “Endireitar” a educação: as escolas e a nova aliança conservadora. Currículo sem fronteiras, v. 2, n. 1, p. 55-78, 2002. Disponível em: http://www.curriculosemfronteiras.org/vol2iss1articles/apple.pdf. Acesso em: 28 jan. 2021.
ARROYO, Miguel G. Currículo, território em disputa. Petrópolis: Editora Vozes, 2013.
BALLESTEROS, Antonio. “A cooperação da família”. Educação, São Paulo, v. 4, n. ½, p. 23-39, ago./set.1931.
BAZZO, Vera, SCHEIBE, Leda. De volta para o futuro... retrocessos na atual política de formação docente. Retratos da Escola, Brasília, v. 13, n. 27, p. 669-684, set./dez. 2019. Disponível em: http://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/1038/pdf. Acesso em 24 jan. 2021.
BRASIL, Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 2, de 20 de dezembro de 2019. Defini as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação). Brasília, Diário Oficial da União, Seção 1, p. 46-49, 15/abr. 2020. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2019-pdf/135951-rcp002-19/file. Acesso em: 28 jan. 2021.
CARDOSO, Lívia de Rezende; et al. Gênero em políticas públicas de educação e currículo: do direito à invenções. Revista e-Curriculum, São Paulo, v. 17, n. 14, p. 1458-1479, out./dez. 2019. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/curriculum/article/viewFile/44651/30834. Acesso em: 24 jan. 2021.
CATANI, Denice Barbara. Estudos de História da profissão docente. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cynthia Greive (Org.). 500 anos de educação no Brasil. 5. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2011. p. 585-599.
CUNHA, Marcus Vinícius. A Escola contra a família. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cynthia Greive (Org.). 500 anos de educação no Brasil. 5. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2011. p. 447-468.
DIAS SOBRINHO, José. Democratização, qualidade e crise da educação superior: faces da exclusão e limites da inclusão. Educação & Sociedade, Campinas, v. 31, n. 113, p. 1223- 1245, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-73302010000400010&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso: 07 jan. 2021.
FELIPE, Jane. EDUCAÇÃO PARA A SEXUALIDADE: UMA PROPOSTA DE FORMAÇÃO DOCENTE. In: Educação para a Igualdade de Gênero. Salto para o Futuro, Brasília, ano XVIII, boletim 26, p. 31-38, nov. 2008. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/cadernos_tematicos/salto_futuro_educacao_igualdade_genero.pdf. Acesso em: 04 jan. 2021.
FURLANI, Jimena. Gênero e Sexualidade nos materiais didáticos e paradidáticos: Representações de gênero e sexualidade em livros didáticos e paradidáticos. In: Educação para a Igualdade de Gênero. Salto para o Futuro, Brasília, ano XVIII, boletim 26, p. 39-46, nov. 2008. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/cadernos_tematicos/salto_futuro_educacao_igualdade_genero.pdf. Acesso em: 04 jan. 2021.
GATTI, Bernadete; et al. Professores do Brasil: novos cenários de formação. Brasília: UNESCO, 2019. Disponível em: https://www.fcc.org.br/fcc/wp-content/uploads/2019/05/Livro_ProfessoresDoBrasil.pdf. Acesso em: 07/01/2021.
GIOLO, Jaime. Educação a Distância no Brasil: a expansão vertiginosa. RBPAE, v. 34, n. 1, p. 73-97, jan./abr. 2018. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/rbpae/article/view/82465/48878. Acesso em: 28 jan. 2021.
GONÇALVES, Rafael Marques. Conversas sobre práticas e currículos entre professoras: artesania e maneiras de fazer o cotidiano escolar. Linguagens, Educação e Sociedade, Teresina, ano 23, Edição Especial, dez. 2018. Disponível em: https://revistas.ufpi.br/index.php/lingedusoc/article/view/7876. Acesso em: 28 jan. 2021.
MACEDO, Elizabeth. “A Base é a base”. E o currículo o que é? In: AGUIAR, Márcia Angela; DOURADO, Luiz Fernandes (Orgs.). A BNCC na contramão do PNE 2014-2024: avaliação e perspectivas (Livro eletrônico). Recife: ANPAE, 2018. p. 28-33. Disponível em: https://anpae.org.br/BibliotecaVirtual/4-Publicacoes/BNCC-VERSAO-FINAL.pdf. Acesso em: 21 dez. 2020.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: caminhos, descaminhos, desafios, perspectivas. In: MANTOAN, Maria Teresa Eglér. O desafio das diferenças nas escolas. 4. Ed. São Paulo: Editora Vozes, 2011. p. 29-42.
NÓVOA, António. Les temps des professeurs – analyse sócio-historique de la profession enseignante au Portugal (XVIIIe – Xxe siècle). Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, v. I-II, p. 75-76, 1987.
NÓVOA, António. Firmar a posição como professor, afirmar a profissão docente. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 47, n. 166, p. 1106-1133, 2017.
PENNA, Fernando de Araújo. O Escola sem Partido como chave de leitura do fenômeno educacional. In: FRIGOTTO, Gaudêncio. Escola “sem” partido: esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira. Rio de Janeiro: UERJ/LPP, 2017. p. 35-48.
PICOLI, Bruno Antônio; VICENZI, Renilda. DCN-BNC e reducionismo na formação de professores de história: entre o dever legal de obedecer e o dever ético da desobediência. SENPE – Seminário Nacional de Pesquisa em Educação. v. 3, n. 1, Anais do III SENPE, 2020. Disponível em: https://portaleventos.uffs.edu.br/index.php/SENPE/article/view/14785. Acesso em: 24 jan. 2021.

PINSKY, Carla Bassanezi. Gênero. In: PINSKY, Carla Bassanezi (Org.). Novos temas nas aulas de história. 2. Ed. São Paulo: Contexto, 2020. p. 29-54.
POCAHY, Fernando; DORNELLES, Priscila Gomes. Um corpo entre o gênero e a sexualidade: notas sobre educação e abjeção. Instrumento, Juiz de Fora, v. 1, n. 1, p. 125- 135, 2010.

RIOS, Pedro Paulo Souza; DIAS, Alfrancio Ferreira; BRAZÃO, José Paulo Gomes. “Lembro-me de querer andar durinho, como se diz que homem deve ser”: a construção do corpo gay na escola. Revista Exitus, Santarém, v. 9, n. 4, p. 775-804, 2019. Disponível em: https://digituma.uma.pt/bitstream/10400.13/2997/1/Lembro-me%20de%20querer%20andar%20durinho%20como%20se%20diz%20que%20homem%20deve%20serBraz%C3%A3o.pdf. Acesso em: 12 de janeiro de 2020.
SEFFNER, Fernando; SILVA, Rosimeri Aquino da. A norma é para a gente cumprir ou para a gente transgredir? O complicado equilíbrio das questões de gênero e sexualidade no ambiente escolar. In: CAREGNATO, Célia Elizabete; BOMBASSARO, Luiz Carlos (orgs.). Diversidade cultural: viver diferenças e enfrentar desigualdade na educação. Erechim: Novello & Carbonelli, 2013. p. 61-82.

SEVILLA, Gabriela; SEFFNER, Fernando. A guinada conservadora na educação: reflexões sobre o novo contexto político e suas reverberações para a abordagem de gênero e sexualidade na escola. Seminário Internacional Fazendo Gênero, 11 & WOMEN’S WORLDS CONGRESS, 13, 2017, Florianópolis. Anais [...] Florianópolis: UFSC, 2017. Disponível em: http://www.en.wwc2017.eventos.dype.com.br/resources/anais/1499465018_ARQUIVO_textocompletofazendogeneroversaofinalgabrielasevillaefernandoseffner.pdf. Acesso em: 23 jan. 2021.
SILVA, Caio Samuel Franciscati; BRANCALEONI, Ana Paula Leivar; OLIVEIRA, Rosemary Rodrigues. Base Nacional Comum Curricular e diversidade sexual e de gênero: (des)caracterizações. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 14, n. esp. 2, p. 1538-1555, jul. 2019.
VALIM, Patrícia; FERNANDES, Felipe Bruno Martins. “Quanto mais purpurina melhor”: questões de gênero e sexualidade no Brasil do governo Bolsonaro. In: AZEVEDO, José Sérgio G. de; POCHMANN, Marcio (Org.). Brasil: Incertezas e submissão? São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2019. p. 401-420.
VIZZOTO, Liane. Cursos de Licenciaturas nos Institutos Federais: rumo a uma nova concepção formativa? I Jornada Latino-americana de História, Trabajo, Movimientos Sociales y Educacion Popular, 2013, Foz do Iguaçú. Anais [...].

Downloads

Publicado

2021-03-30

Como Citar

LEWANDOWSKI MONTAGNOLI, R.; VIZZOTTO, L. (NÃO) VAMOS FALAR SOBRE DIVERSIDADE: O silenciamento na formação de docentes no século XXI. Communitas, [S. l.], v. 5, n. 9, p. 297–311, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufac.br/index.php/COMMUNITAS/article/view/4674. Acesso em: 18 abr. 2021.