ESCOLA DE PRINCESAS

conservadorismo e naturalização do feminino

Autores

Palavras-chave:

Femininos; Escola de Princesas; Conservadorismo; Estudos de Gênero

Resumo

O universo da etiqueta social, beleza, moda e comportamento dito femininos vem sendo explorado nas sociedades ocidentais contemporâneas principalmente pelos diferentes tipos de mídia. Pesquisas com base em revistas femininas, capas de revistas e publicidades demonstram como essas práticas discursivas instituem modelos e normas sociais que naturalizam o feminino por meio da matriz heterossexual. Há pelo menos quatro décadas de denúncias feministas em relação a esses estereótipos femininos como formas de violência simbólica, de avanços e conquistas realizadas pelos movimentos feministas e os estudos de gênero. É notável como desde a segunda metade do século passado há uma maior visibilidade das mulheres na escrita da história, no fazer da ciência, em cargos de chefia nos diversos postos de trabalhos, ocupando as cadeiras das universidades como alunas e mestres ou, garantido os direitos. O sucesso da Escola de Princesa da cidade mineira de Uberlândia é, sem dúvida, um marco nos movimentos conservadores que reproduzem práticas discursivas que naturalizam o feminino e a coerência sexo-gênero-desejo, determinando o destino das mulheres para o casamento heterossexual, a maternidade e o cuidado do lar.  Analisar as práticas institucionais referentes a essa escola por meio das práticas discursivas presentes no seu site, redes sociais e vídeos no youtube nos permite vislumbrar os meios pelos quais essa normatização e naturalização do feminino persiste ainda nos dias de hoje.

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Publicado

2021-03-30

Como Citar

RODRIGUES BRANDÃO, R.; F. ALVES, T. V. . ESCOLA DE PRINCESAS : conservadorismo e naturalização do feminino. Communitas, [S. l.], v. 5, n. 9, p. 54–64, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufac.br/index.php/COMMUNITAS/article/view/4680. Acesso em: 18 abr. 2021.