LEITURA EM UM CURSO DE PEDAGOGIA: ESPAÇO DE CONTRADIÇÃO

  • Viviane CARRIJO Autônoma
Palavras-chave: Pedagogia, Leitura, Colaboração, Contradição

Resumo

Este artigo objetiva problematizar as contradições sobre o conceito e ensino-aprendizagem de leitura manifestas na discussão de um Grupo de Estudos (GE), formado por alunas e professora-pesquisadora de um curso de Pedagogia. Tal problematização é feita a partir da organização da linguagem colaborativa (MAGALHÃES, 2011, 2012, 2014; NININ, 2013), em que as participantes se esforçam, intencionalmente, para escutar e serem escutadas; participar ativamente e responder em entrelaçamento de pontos de vistas. Nos resultados, as marcas de contradições (ENGESTRÖM e SANNINO, 2011) revelam a emergência de um ensino de leitura voltado para o desenvolvimento da competência leitora de futuras professoras das séries iniciais.

Biografia do Autor

Viviane CARRIJO, Autônoma

Doutora em Linguística Aplicada e Estudos de Linguagem

Referências

ALMEIDA. M. O. Refacção como ação pedagógica: o olhar do outro sobre o texto orienta a refacção? Campinas, UNICAMP, 2001. (Mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem), do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, 2001.

ARAÚJO, L. C. Reescrevendo a escrita na escola: a prática de revisão e reescrita textual mediada por pares. Salvador, UFBA, 2004. (Mestrado em Educação), do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Bahia, 2004.

ASSOLINI, F. E. P. Leitura e formação inicial de professores: sentidos, memória e história a partir da perspectiva discursiva. Pro-Posições, Campinas, v. 22, n.1 (64), p. 33-43, 2011.

BAKHTIN, M. [1934-1935]. O discurso no romance. In: BAKHTIN, M. [1975] Questões de Literatura e Estética (A Teoria do Romance). São Paulo: Editora da UNESP, 2002.

_______.; VOLOCHINOV, V. N. [1929] Marxismo e filosofia da linguagem. Hucitec, 1997.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa: primeiro e segundo ciclo do ensino Fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF. 1997.

_______. Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa: terceiro e quarto ciclo do ensino Fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF. 1998.

CALDAS-VIUDES, L. K. O gênero memorial de formação: análise das rememorações de práticas de leitura e escrita no processo formativo. Campinas, UNICAMP, 2011. (Mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem), do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, 2011.

CARRIJO, V. L. S. Contradição em uma pesquisa na graduação em Pedagogia: contribuições da abordagem sócio-histórico-cultural. 2017. 139f. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, 2017.

__________. Atividades reflexivas para a reescrita: contribuições da teoria bakhtiniana. Mato Grosso: UFMT, 2012. (Mestrado em Estudos da Linguagem), do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem – MeEL - da Universidade Federal do Mato Grosso, 2012.

DAMIANI, M. F. Trabalhando com textos no ensino superior. Revista Portuguesa de Educação, 21 (2), pp. 139-159, 2008.

ENGESTRÖM, Y.; SANINO, A. Discursive manifestations of contradictions in organizational changes efforts. A methodological framework. Journal of Organizational Change Management, v,24, n.3, 2011, p. 368-87.

EDWARDS, A. Relational Agency in Professional Practice: A CHAT Analysis Actio: An International Journal of Human Activity Theory No. 1, 2007.Pp. 1-17.

FULLAN, M.; HARGREAVES, A. A Escola como organização aprendente: buscando uma educação de qualidade. ARTMED, 2000.

GARCEZ, L. A escrita e o outro: os modos de participação na construção do texto. Brasília: UNB, 1998.

GERALDI, J. W. Portos de passagens. São Paulo, Martins Fontes, 1991.

GONÇALVES, A. V. As Listas de controle/constatações como ferramentas para a rescrita de gêneros. In: GONÇALVES, A. V.; BAZARIM, M. (Orgs.). Interação, gêneros e letramento: a (re) escrita em foco. 1ª. ed. São Carlos: Claraluz, 2009.

GUEDES-PINTO, A. L. Os mediadores das práticas de letramento de professores em formação inicial. Linguagem em (Dis)curso – LemD, v. 8, n. 3, p. 417-437, 2008.

INAF BRASIL. Indicador de Alfabetismo Funcional: estudo especial sobre alfabetismo e mundo do trabalho. São Paulo, 2016.

LIBERALI, F. C.; MAGALHÃES, M. C. C.; MEANEY, M. C.; SANTIAGO, C.; CANUTO, M.; SANTOS, J. A. A. Projeto DIGIT-M-ED Brasil: uma proposta de desencapsulação da aprendizagem escolar por meio dos multiletramentos. Revista Prolíngua, v. 10, n. 3, 2015.

MAGALHÃES, M. C. C. Pesquisa Crítica de Colaboração: Escolhas epistemo-metodológicas na organização e condução de pesquisas de intervenção no contexto escolar. In: MAGALHÃES, M. C. C.; FIDALGO, S. S. (Org.). Questões de método e de linguagem na formação docente. Campinas, São Paulo: Mercado de Letras, 2011, p. 13-40.

_________. Vygotsky e a pesquisa de intervenção no contexto escolar: a pesquisa crítica de colaboração- PCCOL. In: LIBERALI, F. C.; MATEUS, E.; DAMIANOVIC, M. C. A. Teoria da atividade sócio-histórico-cultural e a escola: recriando realidades sociais. Campinas, SP: Pontes, 2012, p.13-26.

_________. Escolhas teórico-metodológicas em pesquisas como formação de professores: as relações colaborativo-críticas na constituição de educadores. In: MATEUS, E. (Org.). Estudos críticos da linguagem e formação de professores/as de língua: contribuições teórico-metodológicas. Campinas, SP: Pontes Editores, 2014, p. 17-47.

________.; OLIVEIRA, W. Vygotsky e Bakhtin/ Volochinov: dialogia e alteridade. Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso, v. n 5, p. 103-115, 2011.

NININ, M. O. G. Pesquisa e formação na perspectiva crítico-colaborativa. In: MAGALHÃES, M. C. C.; FIDALGO, S. S. (orgs.) Questões de método e de linguagem na formação docente. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2011, p.95-118.

________. Da pergunta como ato monológico avaliativo à pergunta como espaço para expansão dialógica. Uma investigação à luz da linguística aplicada sobre modos de perguntar. São Carlos: Pedro & João Editores, 2013.

OMETTO, C. B. C. A leitura no processo de formação de professores: um estudo de como o conceito de Letramento foi lido e significado no contexto imediato da disciplina Fundamentos Teórico-Metodológicos de Língua Portuguesa, do curso de Pedagogia. Campinas, Unicamp, 2010. (Doutorado em Educação), do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Campinas, 2010.

ROJO, R. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania. São Paulo: SEE: CENP, 2004. Texto apresentado em Congresso realizado em maio de 2004.

_______. Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola. 2012.

_______. Escol@ conectada os multiletramentos e as TICs. São Paulo: Parábola Editoral, 2013.

SOBRAL, A. Do dialogismo ao gênero: as bases do pensamento do Círculo de Bakhtin. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2009.

TANZAWA, E. C. L.; PULLIN, E. M. M. P. Leituras prescritas e práticas de leitura de estudo no ensino superior. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Vol 16, n. 2, 2012.

TORRES, M. G. P. Na trilha da leitura literária de professoras de metodologias do ensino de Língua Portuguesa (MELPs). Pau de Ferros, UERN, 2012. (Mestrado Acadêmico em Letras), do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande, 2012.

VOLOCHINOV, V. N. [1926]. Discurso na vida e discurso na arte (sobre poética sociológica). Trad. de Carlos Alberto Faraco e Cristóvão Tezza. (mimeo).

Publicado
2020-07-17