Descolonização de currículos, percepções e comportamentos na escola “Serra do Papagaio”

uma proposta de intervenção

  • Fernanda Cougo Mendonça Universidade Federal do Acre
Palavras-chave: Arte-educação, Culturas, Afrobrasileiros, Indígenas, Educação Escolar

Resumo

O presente artigo constitui uma reflexão epistemológica tecida a partir da observação do cotidiano da Escola Municipal Serra do Papagaio, Vale do Matutu, zona rural do município de Aiuruoca-MG. Reflexão que se desdobra em uma proposta de intervenção pedagógica. O objetivo foi desnaturalizar discursos/práticas dominantes e excludentes e dar visibilidade/estimular a valorização da diversidade humana e histórico-cultural da região. Buscou-se proporcionar reflexões/ações que possam ser adaptadas a outras situações educacionais. Fazendo soar o tom de ecologias de saberes, poéticas da diversidade e estéticas diaspóricas elegeu-se como tema central as manifestações histórico-culturais de grupos afrobrasileiros e indígenas. As experiências resultaram em proposições de vivências inseridas no campo da arte/educação que possibilitam despertar sensibilidades poéticas e libertar os sentidos, os modos de ver e de viver. Percebendo-se e trabalhando-se a arte como fim, mas também como meio, foram elaboradas diretrizes metodológicas que podem contribuir para a descolonização de currículos, percepções e comportamentos.

Referências

ALBUQUERQUE JÚNIOR, D. M. A invenção do nordeste e outras artes. 5. ed., São Paulo: Cortez, 2011.

ALBUQUERQUE, M. B. B. Epistemologia e saberes da Ayahuasca. Belém: EDUEPA, 2011.

ALBUQUERQUE, M. B. B. Educação e saberes culturais: apontamento epistemológicos. In: PACHECO, A.; et al. (Org.). Pesquisas em Estudos Culturais na Amazônia: cartografias, literaturas & saberes interculturais. Belém: AEDI, 2015, pp.649-690.

AS TRÊS MARIAS. Núcleo de folguedos brasileiros. A roda do brincante festeiro. Disponível em: https://goo.gl/wUvt2d. Acesso em 20 de setembro de 2016.

BARROS, M. Memórias inventadas: a segunda infância. São Paulo: Planeta, 2006.

BESOURO. Direção: João Daniel Tikhomiroff. Brasil. Globo filmes: Buena Vista, 2009. 95 min

BRASIL. Lei n. 11.645, de 10 de março de 2008. Inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 de março de 2008, Seção I, p. 1

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto; Parâmetros Curriculares Nacionais: vol. 6 e 10. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, DF, 1997.

BROTTO, F. O. Jogos Cooperativos: o importante é competir o fundamental é cooperar. Santo, Projeto Cooperação, 1997.

CAPRA, F. O ponto de mutação. Tradução de Álvaro Cabral. 30. ed., São Paulo: Cultrix, 2012.

FREIRE, I. M. Dança-educação: o corpo e o movimento no espaço do conhecimento. Cadernos Cedes, Campinas, SP, ano 21, n. 53, pp. 31-55, abr. 2001.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 57. ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.

GALANGA, Chico rei. Texto e música: Paulo César Pinheiro. Direção e cenário: João das Neves. Direção musical: Titane. Figurinos: Rodrigo Cohen. Iluminação: Paulo César Medeiros. Programação visual: Marcos Correia. Direção de Produção: JLM Produções Artísticas. 90 min.

GILROY, P. O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. Tradução de Cid Knipel Moreira. São Paulo: Editora 34, 2001.

GLISSANT, E. Introdução a uma poética da diversidade. Tradução de Enilce Albergaria Rocha. Juiz de Fora, UFJF, 2005.

GUERRA, R. Projeto Político Pedagógico da Escola Municipal Serra do Papagaio. Povoado do Matutu, Aiuruoca, 2009.

HALL, S. Dá diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG; Brasília: Representação da UNESCO no Brasil, 2003.

HAMPÀTÊ BÁ, A. Amkoullel, o menino fula. Tradução de Xina Smith de Vasconcellos. São Paulo: Pala Athena/Casa das Áfricas, 2003.

JEANDOT, N. Explorando o universo da música. 2., Ed. São Paulo: Scipione, 1993.

LARROSA, J. Linguagem e educação depois de Babel. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

MENDONÇA, F. C. Memórias e artes verbais de Luiz Mendes do Nascimento, o orador do Mestre Irineu. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós Graduação em Letras: Linguagem e Identidade, da Universidade Federal do Acre. Rio Branco, 2016.

MIGNOLO, W. Desobediência epistêmica: A opção descolonial e o significado de identidade em política. Caderno de Letras da UFF. Dossiê: Literatura, língua e identidade, n. 34, 2008, pp. 287-324.

PROJETO CULTURAL RHODIA. Danças populares brasileiras. Coordenação Ricardo Ohtake. São Paulo: Rhodia, 1989

QUIJANO, A. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Coleccin Sur Sur, CLACSO, Buenos Aires, 2005.

REVERBEL, O. O teatro na sala de aula. 2. ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1979.

SAINT-EXUPÉURY, A. O pequeno príncipe. 11. ed., Rio de Janeiro: Agir, 1992.

SANTOS, B. de S. Para além do Pensamento Abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, B. de S; MENESES, M. P. (Org.) Epistemologias do Sul. Coimbra, Edições Almedina, 2009, pp.23-71.

SPOLIN, V. Jogos teatrais: o fichário de Viola Spolin. 2. ed., São Paulo: Perspectiva, 2006.

ZUMTHOR, P. A letra e a voz: a “literatura” medieval. São Paulo: Companhia das letras, 1993.

ZUMTHOR, P. Escritura e nomadismo: entrevistas e ensaios. Cotia: Ateliê Editorial, 2005.

ZUMTHOR, P. Introdução à poesia oral. Tradução Jerusa Pires Ferreira e Maria Lúcia Pochat, Maria Inês de Almeida. Belo Horizonte: UFMG, 2010.

Publicado
2016-12-31
Como Citar
Mendonça, F. C. (2016). Descolonização de currículos, percepções e comportamentos na escola “Serra do Papagaio” : uma proposta de intervenção. Muiraquitã: Revista De Letras E Humanidades, 4(2). https://doi.org/10.29327/2163424.2-4
Seção
ARTIGOS