AS POLÍTICAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NA PÓS-GRADUAÇÃO E A IDEIA DE PENSAR UM CURRÍCULO NA EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA AMAZÔNIA ACREANA

Autores

  • Beatriz França de Morais Universidade Federal do Acre - Ufac
  • Klebe Miranda de Lima Universidade Federal do Acre - Ufac
  • Tânia Mara Rezende Machado Universidade Federal do Acre (Ufac)

Palavras-chave:

Universidade Federal do Acre, Políticas de Ações Afirmativas, PPGE Ufac, Currículos Étnico-raciais, Educação antirracista

Resumo

As Políticas de Ações Afirmativas (PAAs) são medidas estratégicas adotadas para promover a igualdade de oportunidades e reduzir desigualdades históricas e sociais durante o processo seletivo de concursos públicos, editais do ensino superior bem como o ingresso nas Instituições de Ensino Superior (IES) do país, dentre outras coisas. Na Universidade Federal do Acre – Ufac, essas políticas se materializam de diversas maneiras na graduação e pós-graduação: por meio das cotas raciais, indígenas, de Pessoas com Deficiência – PcD, dentre outras. Neste artigo busca-se analisar como se expressaram as alterações e a relevância das PAAs da Ufac, com foco nas cotas raciais, e apontar de que forma pode-se pensar um currículo para a educação das relações étnico-raciais na intenção de diminuir as desigualdades sociais relacionadas à raça, propiciando o enfrentamento da discriminação racial e o acesso à universidade pública por parte da população preta e parda que compõem o público-alvo das ações afirmativas, especialmente, no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), Mestrado em Educação, em um estudo de caso nos Editais da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação – Propeg, Nº 16/2022 e 33/2023. Adota-se, neste estudo, a metodologia de análise documental e bibliográfica amparada pelos seguintes referenciais teóricos: Feres Júnior (2018), Heringer (2022) e Oliveira; et al. (2022). O estudo apontou que as políticas de ações afirmativas no âmbito do programa de pós-graduação em Educação da Ufac foram imprescindíveis para a maior inserção de grupos considerados marginalizados no curso strictu sensu de Mestrado Acadêmico em Educação. Contudo, no que se referem as cotas raciais não há muitas pessoas pretas e pardas sendo contempladas pelas reservas de vagas que lhes são de direito. Assim, indica-se a necessidade de promover um currículo das relações étnico-raciais na intenção de mudar este cenário através de uma educação antirracista na graduação e, especialmente, na pós-graduação da Ufac.

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Biografia do Autor

Beatriz França de Morais, Universidade Federal do Acre - Ufac

Discente de mestrado no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Acre (PPGE/Ufac). Especialista em Educação Especial e Inclusiva e Neuropsicopedagogia Institucional e Clínica pela Faculdade Venda Nova dos Imigrantes (Faveni). Graduada em Letras/Libras pela Universidade Federal do Acre (Ufac).

Klebe Miranda de Lima, Universidade Federal do Acre - Ufac

Doutorando em Educação pela rede Educanorte - Polo Rio Branco/UFAC. Mestre em Educação pela Universidade Federal do Acre - Ufac. Especialista em Filosofia Contemporânea pela Faculdade Dom Alberto (Grupo Faveni). Licenciado em Filosofia pela Ufac. Licenciando em Pedagogia pelo Centro Universitário Única (UniÚnica). É membro do grupo de Estudos e Pesquisas em Educação do Campo, Águas e Florestas na Amazônia Acreana (Gecafa). Tem interesse nas áreas de Ética, Educação, Currículo, Educação do Campo, Educação Inclusiva, Metafísica e História da Filosofia. Fez parte da comissão do Simulado Semestral do Enade - Senade, no curso de Filosofia da Ufac (2023 - 2024). Atuou como professor temporário na escola Colégio Batista Betel (CBB), ministrando as disciplinas de Religião, Sociologia, Filosofia e Projeto de Vida para alunos do 5 ao 9 ano do Ensino Fundamental II e 1 ao 3 ano do Ensino Médio no ano de 2022. Atualmente é Professor substituto na área de Filosofia, lotado no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da Ufac.

Tânia Mara Rezende Machado, Universidade Federal do Acre (Ufac)

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre (1993), mestrado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (2002), doutorado em Educação: Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2010) e Pós-Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Paraná. É líder do Grupo de Estudos da Educação do Campo - GECAFA. Compõe o Conselho Editorial da Revista de Letras e Humanidades Muiraquitã com sede na UFAC. Também é membro do Fórum da Educação do Campo, das Águas e Florestas - FAECAF. É professora associada IV da Universidade Federal do Acre, professora permanente do Mestrado Acadêmico em Educação da UFAC e do mestrado Profissionalizante em Ensino de História da mesma instituição e do Doutorado em Educação na Amazônia - PGEDA. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em diferentes concepções de organizações curriculares e seus rebatimentos na formação humana; Ensino de História; Formação de professores de História; Formação de professores dos Campos, Águas e Florestas nas Amazônias.

Referências

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Publicado

2025-03-21

Como Citar

Morais, B. F. de ., Lima, K. M. de ., & Machado, T. M. R. . (2025). AS POLÍTICAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NA PÓS-GRADUAÇÃO E A IDEIA DE PENSAR UM CURRÍCULO NA EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA AMAZÔNIA ACREANA. Revista Em Favor De Igualdade Racial, 8(2), 19–34. Recuperado de https://periodicos.ufac.br/index.php/RFIR/article/view/8531

Edição

Seção

ARTIGOS