“OI, PESSOAL QUE TEM ÚTERO!”: TENSÕES DISCURSIVAS SOBRE GÊNERO EM AMBIENTE DIGITAL

Palavras-chave: Feminismos, sexualidades, gênero, comunicação, ativismo digital

Resumo

No presente artigo, analisamos as trocas argumentativas de usuários da rede social digital Instagram em postagem publicada pela youtuber Julia Tolezano, do canal Jout Jout Prazer, que apresentava o seguinte slogan para uma campanha de coletor menstrual: “Oi, pessoal que tem útero!”. Nosso objetivo foi apreender os sentidos sobre gênero mobilizados durante a discussão na postagem em questão e para isso nos apropriamos da Análise de Conteúdo como método profícuo para categorização das temáticas centrais dos argumentos. A saudação utilizada pela influenciadora digital, direcionada a pessoas de diferentes identidades de gênero que possuem o órgão reprodutor, suscitou intenso debate entre comentadores que, a partir de diferentes perspectivas sobre o que é ser homem e mulher, (re) produziam sentidos e buscavam firmar posicionamento no debate. Percebe-se a polarização nos diálogos entre (1) sujeitos que proferem argumentos conservadores e uma visada binária sobre gênero e outro (2) que reivindica uma concepção mais ampla e includente, abarcando a pluralidade de identidades de gênero. Como resultados, observamos que os comentários que mobilizavam argumentos na primeira dimensão, ao tentar defender sua perspectiva, se mostraram pouco abertos ao diálogo e suficientemente dispostos a reverberar discursos preconceituosos contra transexuais; e na segunda dimensão uma defesa da pluralidade em busca de um entendimento comum.

Biografia do Autor

Elias Serejo, Universidade Federal do Pará

Doutorando em Ciências da Comunicação no Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Mestre pelo Programa de pós-graduação Comunicação Linguagens e Cultura (PPGCLC) pela Universidade da Amazônia (Unama). Integrante do grupo de pesquisa Comunicação, Política e Amazônia – COMPOA (UFPA/CNPq). Ativista do movimento LGBTQIA+. Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES).

Nathália Fonseca, Universidade Federal do Pará

Doutoranda em Ciências da Comunicação no Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Mestra pelo programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura (PPGCLC) da Universidade da Amazônia (Unama). Integrante do grupo de pesquisa Comunicação, Política e Amazônia – COMPOA (UFPA/CNPq). Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES).

Lorena Esteves, Universidade Federal do Pará

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará (PPGCOM/UFPA). Mestre em Comunicação (PPGCOM/UFPA), com bolsa auxílio Capes. Integrante do grupo de pesquisa Comunicação, Política e Amazônia – COMPOA (UFPA/CNPq). Pesquisa as relações entre Comunicação, Interseccionalidades, Gênero e Decolonialidades.

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Publicado
2020-11-09
Como Citar
Santos Serejo, E., de Sousa Fonseca, N., & Cruz Esteves, L. (2020). “OI, PESSOAL QUE TEM ÚTERO!”: TENSÕES DISCURSIVAS SOBRE GÊNERO EM AMBIENTE DIGITAL. TROPOS: COMUNICAÇÃO, SOCIEDADE E CULTURA (ISSN: 2358-212X), 9(2). Recuperado de https://periodicos.ufac.br/index.php/tropos/article/view/3920
Seção
Artigos