“DEAR WHITE PEOPLE”: PORQUE FALAR SOBRE AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS DO BRASIL PARA A POPULAÇÃO BRANCA?

  • Flávia Rodrigues Lima da Rocha Universidade Federal do Acre-Ufac
Palavras-chave: Lei 10.639/2003, Educação antirracista, Educação cidadã.

Resumo

O presente estudo é fruto do projeto de extensão “Em favor da aplicabilidade da Lei 10.639/2003 na Educação Básica”, da Universidade Federal do Acre – UFAC, que está em sua terceira edição neste ano, cujo objetivo é promover a aplicabilidade da referida lei, buscando romper com preconceitos e discriminações relacionados à cor/raça negra no âmbito escolar. A lei 10.639/2003, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Básica, a Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, inclui no currículo escolar e obriga o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira na Educação Básica. Porém, apesar da obrigatoriedade, muitas instituições e professores desconhecem esta legislação, ainda mais quando se trata de instituições privadas cuja maioria de alunos são brancos. O trabalho aqui apresentado foi realizado numa instituição de ensino privada, com turmas do Ensino Médio, cujo tema foi “Educação das relações étnico-raciais do Brasil”, para isso utilizamos como referencial teórico Kabengele Munanga (2005) e Nilma Lino Gomes (2005), bem como dados estatísticos sobre a população negra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2010) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA (2011), que nos mostra que, uma vez comparada com a população branca, a população negra (pretos e pardos) vive em desigualdade, e a cor da pele negra ainda é correlacionada à aspectos negativos em nossa sociedade. Além de expor dados estatísticos, foi feito uma contextualização histórica para mostrar como e porque ainda existe racimo em nosso país, abordamos os conceitos de raça, etnia, preconceito, discriminação, racismo e foi definido o que é injúria racial e racismo segundo nosso código penal, mostrando alguns casos famosos. Ademais, foi feito um debate sobre as cotas raciais nas universidades. Foi mostrado como no Brasil escravista a população negra sofreu e continua sofrendo até hoje, bem como sua exclusão, sobretudo no sistema escolar, daí a necessidade de políticas afirmativas para este grupo como forma de reparação devido ao histórico da escravidão que ainda afeta negativamente a vida, a trajetória e a inserção social dos descendentes africanos em nosso país. Portanto, obtivemos como resultados desta ação, o contato do alunado - em sua maioria branca - com temas de enfrentamento ao racismo. Instigando-os a repensar as relações étnico-raciais através da valorização da história e cultura africana e afro-brasileira, incentivando assim a igualdade racial na escola.

Biografia do Autor

Flávia Rodrigues Lima da Rocha, Universidade Federal do Acre-Ufac

Mestre em Letras: linguagem e identidade pela Universidade Federal do Acre (Ufac), em 2011, com o tema da dissertação “Inaudíveis e Invisíveis: negros na historiografia acreana”. Graduada em Licenciatura em História pela mesma universidade, em 2005.

Professora Assistente de Estágios Supervisionados do Ensino de História do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da Universidade Federal do Acre (Ufac), desde 2016. Coordenadora dos Projetos de Pesquisa Institucionais “Observatório de Discriminação Racial do Estado do Acre (ODR/AC)” e “Revisitando o Currículo de História da Educação Básica do Estado do Acre através da Lei 10.639/2003”, ambos desde 2016. Coordenadora do Curso Uniafro: Política de Promoção de Igualdade Racial na Escola, desde 2003. Coordenadora das Extensões: Projeto “Em favor da aplicabilidade da Lei 10.639/2003 na Educação Básica”, desde 2015; Curso “Pesquisa Étnico-Racial como Enfrentamento ao Racismo”, ocorrido entre os meses de Junho e Julho de 2017; e do Evento “Semana em Favor de Igualdade Racial”, que terá sua terceira edição neste ano. Coordenadora do Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre (FPEER/AC), desde Abril de 2017. Conselheira do Conselho de Promoção de Igualdade Racial do Estado do Acre (Coepir/AC), desde 2014. Sub-coordenadora do Curso de Licenciatura em História, desde Janeiro de 2017. Professora de História da Educação Básica por treze anos, entre 2004 e 2016. Publicações de artigos com ênfase em educação étnico-racial e formação de professores.

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Publicado
2017-12-18
Seção
EDUCAÇÃO