AS ROTAS DE COMÉRCIO INDÍGENA NA MONTAGEM DA ECONOMIA DAS DROGAS DO SERTÃO AMAZÔNICO (1683-1706)

Autores

  • André José Santos Pompeu Universidade Federal do Pará

Palavras-chave:

Comércio indígena, Cultura de mobilidade, Drogas do sertão

Resumo

O presente trabalho versa sobre a participação indígena na montagem da economia das drogas do sertão, durante o reinado de D. Pedro II. As drogas do sertão são consideradas como a principal atividade econômica da Amazônia colonial, além de possuir uma mão de obra, eminentemente, indígena, no entanto, a historiografia costuma remeter apenas aos índios o papel de remeiros nessa economia. O presente trabalho pretende indicar que o papel indígena na economia do sertão não se limitava a apenas remar as canoas, mas que as redes e rotas de comércio foram preponderantes para a montagem desta economia, conectando diferentes nações indígenas, com os diferentes grupos europeus que vinham se assentando no vale amazônico desde o século XVI. O presente trabalho conta com o conceito de “cultura de mobilidade”, cunhado por Heather Roller (2014), que indica que os indígenas desenvolveram uma cultura de mobilidade na Amazônia colonial, pela liberdade que as atividades do sertão permitiam, sendo o caso aqui, a liberdade que as rotas comerciais permitiam aos grupos indígenas, nesse momento de montagem da economia do sertão.

Biografia do Autor

André José Santos Pompeu, Universidade Federal do Pará

Doutorando em História, pelo Programa de Pós-graduação em História Social da Amazônia. Com experiência nas áreas de História colonial, História da Amazônia, História Econômica, História Indígena e História da América. Membro dos grupos de pesquisa: História Indígena e do Indigenismo na Amazônia (HINDIA), da UFPA e Impérios Ibéricos no Antigo Regime: política, sociedade e cultura, da UFRRJ. 

Referências

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Publicado

2021-11-01

Como Citar

José Santos Pompeu, A. . (2021). AS ROTAS DE COMÉRCIO INDÍGENA NA MONTAGEM DA ECONOMIA DAS DROGAS DO SERTÃO AMAZÔNICO (1683-1706). Revista Em Favor De Igualdade Racial, 4(3), 22–35. Recuperado de https://periodicos.ufac.br/index.php/RFIR/article/view/5027

Edição

Seção

ARTIGOS