Foco e Escopo

Ao longo desses dez anos de sistemática realização do Simpósio Linguagens e Identidades da/na Amazônia Sul-Ocidental temos criado espaços de debates e reflexões em torno das temáticas que envolvem a multiplicidade cultural amazônica, buscando consolidar uma rede integrada de estudiosos da/na região e articular organicamente ativistas de movimentos sociais, artistas, grupos indígenas, comunidades quilombolas e de agricultores e deslocados de toda parte, que se territorializam nessa região ou para ela voltam seus olhares.
Nessa esteira e assumindo uma perspectiva dialógica na relação entre o local e o global, entre os “de dentro” e os “de fora”, entre o “eu” e o “outro”, com o evento propomos o desafio de produzir outras narrativas, re-escrever histórias e revisitar literaturas com o objetivo de abrigar outras imaginações, pensamentos e ideias acerca de certa “realidade” que tem (con)formado, descrito, reificado e, na maior parte das vezes, condenado os diferentes sujeitos dessa região a permanecer tratados pelos cristalizados adjetivos do olhar colonizador e colonizatório, isto é, “vazios de civilização”.
Na narrativa hegemônica (jornalística, literária, historiográfica, acadêmica, etc.) produzida sobre e para as Amazônias, homens e mulheres são categorizados em rótulos genéricos como caboclos, índios, brancos, cearenses, pretos, ribeirinhos, seringueiros e outros que, ao mesmo tempo, lhes constatam a existência e promovem o apagamento de sua condição humana, de suas diferenças, suas culturas, seus direitos à vida em todos os sentidos. Sujeitos esses que, identificados com identidades obturadas e carentes de tempo e espaço próprios, vivenciam certa condição latinoamericanizada na coexistência diária com as contradições do “modernismo sem modernização”, no dizer de Canclini (2008).
Nossa proposição parte da necessidade de pontuarmos sua incompreendida condição do ser “sendo”, que lhes permite ser o “eu” e o “outro” misturando-se na tensa experiência da relação, sem que isso signifique o diluir-se de qualquer uma das partes, como pensado por Glissant (ano). Na condição de seres “sendo” nascidos de uma mãe-terra indígena e marcados pelo contato assimétrico e conflituoso com as muitas diásporas da mãe-África e outras culturas atlânticas, ser/estar na Amazônia é ser/estar aqui e também lá, em um contínuo trânsito de múltiplas temporalidades e espacialidades, não obstante aos “olhares etnocêntricos” que insistem em conferir existência única e atemporal aos seres “sendo”, como forma de justificar projetos de “des-envolvimento” que pavimentam, no dizer de Hall (2003), a estrada da “longa marcha para o progresso”, contra-senha para mercantilizar ou eliminar a natureza e os seres humanos de lugares “exóticos” e abundantes das matérias primas que interessam ao mercado capitalista em suas formas “tradicionais” e “modernas”.
Nesses dez anos de realização do Simpósio Linguagens e Identidades, o debate e a reflexão sobre as línguas e literaturas indígenas sempre esteve presente em nossas sessões temáticas, grupos de trabalhos e espaços de exposições artísticas. Este ano, como temática principal, buscamos articular estudos/publicações e compor uma rede de professores e pesquisadores com o objetivo de fortalecer a produção de um discurso contra-hegemônico que coloque a questão indígena, em especial, a luta contra o apagamento e desconhecimento de suas línguas e literaturas, como um problema político-social em torno da luta pela defesa de suas terras demarcadas e retomada de outras que foram invadidas pelo latifúndio ou pela expansão da “sociedade nacional” que, em outras palavras, significa uma luta contra o genocídio indígena, ainda em curso no Brasil.


A comissão organizadora.

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Política de Acesso Livre

Esta revista oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento.

Normas para publicação

X Simpósio Linguagens e Identidades da/na Amazônia Sul-Ocidental “Trânsitos pós-coloniais e decolonialidade de saberes e sentidos” Câmpus da Universidade Federal do Acre, Rio Branco, Acre, Brasil 07 a 11 de novembro de 2016 NORMAS PARA SUBMISSÃO DE ARTIGO A publicação dos Anais 2016 será eletrônica. O envio de artigo será realizado diretamente no site do evento durante o período de 10/08/16 a 10/09/16. Todas as orientações deverão ser seguidas, impreterivelmente, para não acarretar sua reprovação e conseqüente não publicação. Os(as) autores serão responsáveis pela revisão gramatical de seus artigos. Problemas ortográficos e ausência de coerência e coesão, se em excesso, impedirão a publicação do artigo. Assim, o artigo deverá seguir as seguintes orientações:

EXTENSÃO:

  • · Conter de 08 (oito) a 15 (quinze) laudas, incluindo texto, ilustrações e referências.

FORMATO:

  • · Conter, obrigatoriamente, cabeçalho com a arte do evento (a ser disponibilizado pela Comissão Organizadora no site do evento);
  • · Fonte: Arial, tamanho 12;
  • · Espaçamento entre linhas: 1,5;
  • · Espaçamento entre parágrafos: simples;
  • · Recuo: 2,0 cm;
  • · Margens: superior e inferior: 2,5cm / esquerda e direita: 2,5cm;
  • · Alinhamento: justificado;
  • · Subtítulos: numerados com algarismos arábicos, de modo crescente;
  • · Citação: as citações deverão ser no corpo do texto. Não serão aceitas citações em notas de rodapé ou numeradas. O recuo deverá ser de 4cm, sem parágrafo, fonte Arial, tamanho 10, espaçamento simples.
  • · Envio do documento em formato .pdf

IDENTIFICAÇÃO

  • · Título: o título deverá vir em caixa alta, sem ponto final após o título;
  • · Nome do(a) autor(a): após o título, alinhado à direita. Inserir nota de rodapé contendo titulação, instituição e e-mail.
  • · Nome do(a) co-autor(a): após a instituição do(a) autor(a), alinhado à direita. Inserir nota de rodapé contendo titulação, instituição e e-mail. ELEMENTOS TEXTUAIS:
  • · Introdução;
  • · Desenvolvimento;
  • · Conclusão;
  • · Referências bibliográficas: as referências serão apresentadas em ordem alfabética por autor e somente deverão conter as obras citadas no artigo. O título da obra indicada na referência deverá vir em negrito. Exemplo: FRANÇA, Júnia Lessa et al. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. 6. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2003. 230 p.

OBSERVAÇÃO: a) O artigo não poderá conter elementos pré-textuais, tais como: capa, folha de rosto, etc.; b) Não inserir o resumo ao artigo; c) Cada trabalho poderá ter, no máximo, 02 (dois) autores, devidamente inscritos no evento; d) As ilustrações (quadros, gráficos, tabelas, etc.), devem ter uma numeração sequencial; e) A ilustração deve ser numerada com algarismos arábicos, de modo crescente, precedida da palavra que a designa. Na sequência deve ser colocado o título, informando de maneira clara e direta o conteúdo da ilustração. Exemplo: Gráfico 1: Título do gráfico. O tamanho da fonte a ser utilizada na identificação da ilustração deve ser 10. f) Pedimos que verifiquem o artigo após a conversão do arquivo de WORD para arquivo PDF, lembrando que em alguns casos há desconfiguração na conversão, podendo causar a não publicação.