Teatro da Vertigem:
Decadentismo, Simbolismo e crise da forma dramática em 'Le Démon de l’absurde', de Rachilde
Palavras-chave:
Rachilde, teatro simbolista, decadentismo, hibridismo genéricoResumo
Partindo de um projeto de tradução crítica para o português brasileiro, o artigo analisa cinco textos teatrais da coletânea Le Démon de l’absurde (1894), de Rachilde. Inscrita no cruzamento entre decadentismo e simbolismo, sua escrita dramática desestabiliza fronteiras entre conto, novela e peça, configurando o que Marta Pedreira denomina “hibridações finisseculares” entre narrativo e dramático. A partir de uma abordagem comparatista e historiográfica, apoiada na crítica recente sobre Rachilde e na teoria do drama moderno, examinamos como esses textos reconfiguram a ação dramática, o estatuto do espaço e a figuração de corpos em crise. Propomos que constroem um “teatro da vertigem”, em que unidade de espaço, rarefação da intriga, imagens oníricas e lógica condicional ou circular desestabilizam tanto a poética clássica quanto expectativas realistas. Por fim, sugerimos que esse teatro, ainda pouco explorado em língua portuguesa, funciona como laboratório privilegiado para repensar a crise da forma dramática no fin-de-siècle e algumas de suas ressonâncias posteriores, inclusive em direções prefiguradoras do chamado teatro do absurdo.
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Referências
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