Uma oralitura fabular sobre denúncia e memória:
Análise da obra 'Negra Bá' (1959), de Heloísa Maranhão
Palavras-chave:
Negra Bá, Oralitura, MemóriaResumo
De acordo com Castro (2004), a verdade, para Foucault, não está ligada à atitude científica de relacionar um fato com sua comprovação, não, a verdade é um discurso que é propagado em uma respectiva comunidade como um instrumento de poder que molda a cultura como um todo. E Maranhão (1959), que escreve a peça Negra Bá, reescreve verdades acerca da cultura dos povos africanos, elaborando uma oralitura (Fonseca, 2021) que versa sobre a identidade e memória, tratando a cor negra como símbolo de memória e força. A partir disso, este artigo tem por objetivo analisar como Maranhão, pela voz de Negra Bá, compõe uma história e verdade que vão além do mero fato histórico comprovado. A metodologia adotada é de base qualitativa, pela qual foi possível observar como a autora constrói processos de intertextualidade com a figura histórica e mítica de Inês de Castro e da corte portuguesa que a assassinou, moldando sua oralitura a partir da relação da narradora personagem com essas pessoas.
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