Ditos e não ditos sobre a presença de negros e negras no Território Federal do Acre (1904-1930)
DOI:
https://doi.org/10.29327/266889.13.2-7Palavras-chave:
Acre, Racialização, Silenciamentos, Colonialidade, Decolonialidade.Resumo
Em diferentes escritos jornalísticos, literários e historiográficos que tratam sobre o então Território Federal do Acre, observa-se como foi urdida a invisibilidade de negros e negras que viveram nesses espaços, bem como a construção de estereótipos utilizados para nomeá-los. Como parte desse processo, esses homens e essas mulheres foram compulsoriamente inseridos em identidades essencializadas, caso de “sertanejos do norte”, “nordestinos” e “seringueiros”, transmutados e transmutadas em personagens sem cor, identidades, culturas. O que se procura fazer com a escrita deste trabalho é o desenvolvimento de contrapontos aos silêncios produzidos e aos estereótipos inventados por diferentes discursos. Trata-se de um escrito marcado por posicionamentos políticos contrários aos processos de racialização característicos do sistema mundo moderno colonial. Para tanto, privilegia como fontes de pesquisas jornais editados no então Território Federal do Acre entre os anos de 1904 a 1930, pela compreensão de que oferecem importantes informações sobre registros fragmentários de um certo presente, realizados sob o influxo de interesses, compromissos e paixões (Luca, 2008). As análises apresentadas no decurso do texto foram referenciadas por um conjunto de autores e autoras, considerando o recorte temático proposto. Em relação aos estudos pós-coloniais, devem ser enfatizados os escritos de Anibal Quijano (2005), Antônio Bispo (2015), Maria Lugones (2014) e Achille Mbembe (2014). Para as análises sobre temas como ciência, raça e sociedade, foram importantes as contribuições de Marcos Chor Maio (2010), Fernandez-Armesto (2007) e Sidney Chalhoub (1996). Por fim, quando se trata de produções sobre as Amazônias, destacam-se as interpretações de Gerson Rodrigues Albuquerque (2016) e Raquel Ishii (2023).
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