Carnavalização em SignWriting
uma análise Bakhtiniana
DOI:
https://doi.org/10.29327/266889.13.2-10Palavras-chave:
Carnavalização, SignWriting, Visuoespacialidade.Resumo
Este artigo analisa o SignWriting como um fenômeno de carnavalização da escrita, rompendo com os padrões fonocêntricos tradicionais e reorganizando as possibilidades de inscrição da Libras em registros textuais. O estudo examina como a escrita, historicamente vinculada à oralidade, suprimiu as línguas de sinais e como o SignWriting emerge como um sistema que subverte essa lógica, promovendo um novo regime de materialidade textual para as línguas visuoespaciais. A análise teórica fundamenta-se no conceito de carnavalização de Bakhtin (1987), discutindo como o SignWriting desafia as hierarquias linguísticas estabelecidas, tensiona normas discursivas e amplia as formas de materialização da Libras no espaço textual. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa e exploratória, articulando uma análise discursiva do SignWriting à luz da teoria bakhtiniana. O estudo demonstra que esse sistema não apenas viabiliza o registro gráfico da Libras, mas também tensiona as normatividades discursivas tradicionais, desloca hierarquias linguísticas e instaura um espaço enunciativo antes interditado. Dessa forma, o SignWriting configura-se como um dispositivo carnavalizado, ao promover uma inversão simbólica das relações entre oralidade e visualidade na escrita, reposicionando as línguas de sinais no espaço textual acadêmico e educacional.
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