Um Brasil para francês ver
Le pays du café, de Sant' Anna Nery
DOI:
https://doi.org/10.29327/210932.14.1-3Palavras-chave:
Sant’Anna Nery, Júlio Verne, Romance, Relato de viagem.Resumo
Em 1881 o escritor francês Júlio Verne publica A Jangada: oitocentas léguas pelo Amazonas, romance ambientado na região que atualmente denominamos Amazônia. A obra tem uma recepção crítica pouco significativa nas Províncias situadas no Norte do Império brasileiro, muito embora o enredo narre as aventuras de uma família que parte de Iquitos em direção a Belém do Pará. A recepção crítica mais significativa ao romance é de autoria do paraense Sant’Anna Nery, que acusa Verne de ter difamado a imagem do Brasil junto ao público leitor francês. Como resposta à Jangada, o paraense escreve Le pays du café: voyage du M. Durand au Brésil, texto ficcional publicado em 1882. Utilizando a convenção do relato de viagem, Nery faz com que seu protagonista, um francês aposentado e enriquecido pelo comércio do café, viaje pelas províncias situadas ao sul do Império. O objetivo deste artigo consiste em discutir que Brasil é esse que Nery pretende dar a conhecer ao público leitor francês. Como buscaremos demonstrar, a obra do paraense, inscrita no contexto de avanço do imperialismo europeu, constitui peça publicitária destinada a atrair franceses para a exploração das riquezas do país. Sob essa proposta repousa o entendimento de que os europeus, mais propensos ao trabalho racional, seriam capazes de melhor submeter a natureza à indústria do homem. Nery se vale da ficção como um instrumento por meio do qual figura e inventa um Brasil capaz de se mostrar atraente aos olhos estrangeiros, combinando a brutalidade da natureza com a civilização dos costumes.
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Referências
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