A Amazônia figurada em O empate (1993), de Florentina Esteves
da relação entre homem e natureza à devastação da floresta
DOI:
https://doi.org/10.29327/266889.13.2-9Palavras-chave:
Literatura da Amazônia, O empate, Florentina Esteves, Natureza.Resumo
Este trabalho tem por objetivo analisar o romance O empate (1993), da escritora acreana Florentina Esteves, buscando perceber a relação das personagens com a natureza amazônica, bem como refletir acerca do caráter exploratório que paira sob a região figurada, que atua no sentido de romper as relações estabelecidas entre seres humanos e a natureza enquanto vida, como os rios, as matas, as folhas e flores e os animais que lá habitam. Considerando que o ato de leitura por si só é uma comparação (Pageaux, 1998), para a construção da discussão, buscou-se a abordagem comparada, além disso, a fim de aprofundar a interpretação, serão acionadas outras obras artísticas, como textos literários e das artes visuais, sejam elas amazônicas ou não, para assim estabelecer um elo comparativo entre os textos selecionados e a narrativa de Esteves. Como suporte teórico, foram utilizados os estudos de Jacques Derrida (2002), Rita Segato (2021), Ailton Krenak (2022) e Antônio Bispo (2023) para compreender a destruição da natureza; além de textos do campo da literatura comparada, como René Welleck (1994a, 1994b), Daniel-Henri Pageaux (1998) e Eduardo Coutinho (2006). Portanto, este estudo buscará demonstrar que é a partir de uma linguagem literária que Florentina Esteves denuncia a devastação da Amazônia e o quanto esta interfere na relação de seus personagens com o espaço em que estão inseridos, mesmo que estes construam mecanismos de resistência, a exemplo do empate, ato de se colocar à frente das máquinas para interromper a destruição.
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