A teatralidade do livro e da escrita em intramuros, de Lygia Bojunga
DOI:
https://doi.org/10.29327/210932.13.1-7Palavras-chave:
Teatralidade, Lygia Bojunga, Intramuros, BarthesResumo
O livro Intramuros (2016), última publicação, até 2025, de Lygia Bojunga, é um extenso “Pra você que me lê”, espaço criado pela autora como um lugar de diálogo com o leitor, para explanar sobre um livro escrito ou recém-começado. Na obra em questão, esse espaço de interação entre autor e leitor foi instaurado para tratar de um livro que ainda não estava escrito. Qual livro? O próprio Intramuros. Esse espaço, muitas vezes visto como um paratexto ou um recurso acessório, encontra-se pulverizado ao longo de todo o livro, trazendo, ao mesmo tempo, a sua feitura (o dar vida às personagens) e as histórias dessas personagens. Porém, ao mesmo tempo em que é colocado em cena o seu fazer, desfaz-se os limites do próprio livro enquanto objeto, provocando o surgimento de um dentro-fora no qual não é mais possível delimitar texto e paratexto. Portanto, consideramos que Bojunga, ao explorar os espaços paratextuais do livro, teatraliza a escrita, isto é, como assinala Barthes (2005), leva a linguagem a seu limite, descortinando, aos olhos do leitor, uma cena de escritura em que o livro se faz e se desfaz. Esse gesto coloca em evidência que, para caminhar pela obra Intramuros, é preciso ir além do próprio livro e, ao mesmo tempo, olhar para ele como um corpo que também faz parte da escritura. Sendo assim, o objetivo deste trabalho é estender nossos olhares para o modo como Bojunga teatraliza a escrita em Intramuros, por meio da criação de um espaço outro, no qual não é possível delimitar dentro e fora do livro. Para tanto, embasamo-nos no aporte teórico de Barthes, bem como com Blanchot (2010), Bident (2012) e Deleuze (2011).
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