O USO DE AGROTÓXICOS E A SAÚDE DO TRABALHADOR RURAL NO BRASIL

  • Lucas Gabriel da Silva Moraes Universidade Federal do Acre
  • Ana Carolina de Sousa Gomes Universidade Federal do Pará (UFPA)
  • Celeste Regiane da Silva Moraes Universidade Federal do Acre (UFAC)

Resumo

Introdução: A extensiva utilização de agrotóxicos representa grave problema de saúde pública nos países em desenvolvimento, e o presente artigo se justifica pelo fato de analisar esta relação Agrotóxicos x Saúde do Trabalhador.  Objetivo: Diante disso, este artigo tem como objetivo identificar a partir de uma revisão da literatura quais os principais agravos à saúde dos trabalhadores rurais que utilizam agrotóxicos na produção agrícola. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica advinda da seleção de artigos científicos de base de dados, abrangendo artigos publicados entre os anos de 2004 até 2016, com investigação baseada em dados empíricos coletados no Brasil. Resultados e Discussão: A compreensão da relação entre o trabalho rural e o uso de agrotóxicos permite ampliar os espaços para a construção de conhecimento. Nesse sentido, a partir da análise da bibliografia encontrada foram identificadas duas categorias: 1) A modernização da agricultura camponesa e o uso de agrotóxicos no Brasil: Aponta que a aquisição de insumos para agricultura passa a ser um importante fato no contexto da relação capital-camponês, sendo que neste caso o capital é representado pela indústria de agrotóxicos. Sabe-se que nos dias atuais a demanda por alimentos é bastante alta e por isso a produção agrícola também tem que ser grande. Por isso, o uso de fertilizantes e agrotóxicos passou a fazer parte da produção agrícola nas grandes lavouras e da realidade dos pequenos lavradores; 2) Os agravos a saúde do trabalhador expostos aos agrotóxicos: Segundo o Sistema Integrado de Informação Tóxico Farmacológica (SINITOX) da Fundação Oswaldo Cruz, em 2016 foram registrados 2198 casos de Intoxicação por Agrotóxico de uso agrícola, segundo a circunstância, dentre estes, 648 casos foram por intoxicação ocupacional, notificados nas regiões nordeste, sudeste e centro-oeste, representando assim 29,48% do total de casos, um número elevado, mas que de acordo com o próprio SINITOX representa um grave problema de subnotificação dos casos que ocorrem no país, onde se estima que para cada caso de intoxicação por agrotóxico registrado, existam outros 50 casos que não são registrados. Considerações finais: Diante dos resultados apresentados, foi possível identificar quais os principais agravos à saúde dos trabalhadores rurais expostos ao contato direto com agrotóxicos. Comprovando assim a importância de estudos ainda mais aprofundados acerca da relação agrotóxicos x saúde dos trabalhadores na produção agrícola familiar, evidenciando assim que o problema não está somente na grande lavoura que produz em larga escala, mas também se faz presente no âmbito do campesinato, pois a partir da inserção da tecnologia no campo, o pequeno produtor também teve que se adequar ao sistema, gerando agravos para a sua própria saúde.

 

Biografia do Autor

Lucas Gabriel da Silva Moraes, Universidade Federal do Acre

Acadêmico do curso de Bacharelado em Geografia da Universidade Federal do Acre (UFAC)

Bolsista do Programa de Educação Tutorial - PET Geografia UFAC

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Publicado
2018-09-25