LETRAMENTO RACIAL E ECOLOGIAS DIGITAIS DE ENFRENTAMENTO AO RACISMO ALGORÍTMICO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/2474908.1.14-3

Palavras-chave:

racismo algorítmico, letramento racial, necroalgoritmização, ecologias digitais

Resumo

Este artigo investiga a articulação entre práticas de letramento racial, interpretação, circulação e enfrentamento de processos de racialização automatizada em sistemas de inteligência artificial, com ênfase nas tecnologias generativas, a partir de abordagem crítica do racismo algorítmico e da necroalgoritmização (Araújo, 2025a). Fundamenta-se nos estudos de Silva (2022), na noção de pacto da branquitude proposta por Bento (2022) e na concepção de letramento racial como prática sociopolítica desenvolvida por Twine e Steinbugler (2006), concebendo o algoritmo como texto e a circulação algorítmica como prática discursiva situada (Araújo, 2025b). Metodologicamente, adota abordagem qualitativa orientada pela etnografia virtual (Hine, 2000), com base em episódiospúblicos de denúncia e comentários em redes sociais. A análise identifica ecologias digitais interdependentes de contranecroalgoritmização e evidencia o letramento racial algorítmico como prática distribuída de leitura crítica, produção de conhecimento, memória e ação coletiva na governamentalidade algorítmica contemporânea.

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Biografia do Autor

Júlio Araújo, Universidade Federal do Ceará (UFC)

Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Professor Titular da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde leciona no Departamento de Letras Vernáculas, integra o corpo docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística e coordena o grupo de pesquisa DIGITAL (Discursos e Digitalidades) e o Laboratório de Letramentos e Escrita Acadêmica. Realizou estágios de pós-doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em Humanidades pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB). Foi vice-presidente da Associação de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB) e da Associação Brasileira de Estudos sobre Hipertexto e Tecnologia Educacional (ABEHTE) no biênio 20092011. Co-fundador do do GT de Linguagem e Tecnologias da ANPOLL do qual foi coordenador no biênio 2012-2014, além de integrar os conselhos consultivos da ALAB e da ABEHTE. Atual coordenador do GT Linguagem e Tecnologia da ANPOLL.

Rayron Ribeiro, Universidade Federal do Ceará (UFC)

Bolsista de Iniciação Científica CNPq, professor de língua portuguesa e estudante do curso de Letras - Português e suas Literaturas (UFC), em atuação no Laboratório de Escrita Acadêmica (LEA) e no grupo de pesquisa Discursos e Digitalidades (DIGITAL). No âmbito do Projeto Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq), realizou a pesquisa Fake News nos Livros Didáticos (Projeto Fake Livdi), investigando o trato didático que os livros conferem à desinformação, entre os anos de 2023-2024. Além disso, também atuou na pesquisa Inteligência Artificial e Racismo Algorítmico (Projeto IARA), que investiga as relações entre microagressões raciais nas redes sociais e letramento racial, entre os anos de 2024-2025. Foi corretor voluntário de redações ENEM no projeto Salvaguarda (2022) e professor de literatura e corretor de redações no Projeto Novo Vestibular (PNV). Atualmente, é corretor de textos acadêmicos na disciplina Leitura e Produção de Textos Acadêmicos (LPTA), e, no âmbito da PIBIC/CNPq, atua no Projeto Leituras de Exclusão em Inteligência Artificial (LEIA), o qual adentra as noções de necroalgoritmização nas redes sociais. Possui interesse nos temas: ensino, letramentos acadêmicos, IA, racismo algorítmico e desinformação.

Referências

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Publicado

20-02-2026

Como Citar

Araújo, J., & Ribeiro, R. C. (2026). LETRAMENTO RACIAL E ECOLOGIAS DIGITAIS DE ENFRENTAMENTO AO RACISMO ALGORÍTMICO. Anthesis, 14(01). https://doi.org/10.29327/2474908.1.14-3

Edição

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