A NOÇÃO DE TEMPO NO LIVRO XI DAS CONFISSÕES DE AGOSTINHO E SUA RECEPÇÃO NA FENOMENOLOGIA E HERMENÊUTICA CONTEMPORÂNEAS
Palavras-chave:
Tempo; Subjetividade; Narrativa.Resumo
Este artigo analisa a noção de tempo desenvolvida por Agostinho no Livro XI das Confissões e examina sua releitura pela fenomenologia e pela hermenêutica contemporâneas, especialmente em Martin Heidegger e Paul Ricoeur. O objetivo geral consistiu em investigar como a concepção agostiniana do tempo, estruturada pela distensão da alma e pelo tríplice presente, tornou-se ponto de partida para a reflexão moderna sobre temporalidade, existência e subjetividade. Metodologicamente, o estudo baseou-se em revisão bibliográfica sistemática, contemplando obras clássicas e interpretações atuais, organizadas em etapas de seleção, leitura analítica e síntese interpretativa. Os resultados revelaram que Agostinho inaugura uma aporia temporal que não é superada, mas transformada em diferentes horizontes: em Heidegger, a temporalidade funda a existência e a finitude; em Ricoeur, a narrativa oferece uma réplica poética que converte a dispersão temporal em identidade narrativa. Conclui-se que o diálogo entre esses autores permite compreender a subjetividade como dinâmica, processual e historicamente situada, constituída pela interação entre memória, abertura existencial e elaboração narrativa, oferecendo um paradigma fértil para debates contemporâneos sobre identidade, sentido e historicidade.
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