O Conservadorismo Contra-ataca
Representação e Luta pela História nas Cotas Raciais
DOI:
https://doi.org/10.29327/268903.9.1-9Palavras-chave:
Conservadorismo brasileiro, Cotas Raciais, RacismoResumo
Este artigo realiza uma análise aprofundada das recentes tentativas de suspender as cotas raciais em Santa Catarina, interpretando-as como um sintoma da longa tradição do conservadorismo brasileiro. Ampliando o escopo analítico, o texto mobiliza uma densa discussão bibliográfica que articula a sociologia de Florestan Fernandes, os estudos culturais de Stuart Hall, e as contribuições da psicanálise sobre o racismo, além de autores como Jessé Souza e Clóvis Moura. Argumenta-se que a ofensiva contra as ações afirmativas transcende a mera disputa política, revelando um embate complexo que envolve: a falha estrutural na integração do negro na sociedade de classes, como diagnosticado por Fernandes, a política de representação que, conforme Hall, constrói o “outro” e naturaliza hierarquias, as dimensões psíquicas do racismo que operam na negação da desigualdade e a perpetuação de uma “elite do atraso” que se beneficia da manutenção de privilégios. O artigo conclui que o ataque às cotas é uma reação multifacetada à emergência de novas “modernidades negras” e à contestação de uma narrativa histórica hegemônica, tornando-se um campo de batalha decisivo para o futuro da democracia no Brasil.
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