Colapso necrodiscursivo territorial e morte linguística indígena no Acre
uma leitura necrolinguística entre Arqueogenealogia e Necropolítica
DOI:
https://doi.org/10.29327/268903.9.1-5Palavras-chave:
Necrolinguística, Acre, Arqueogenealogia, Colapso Necrodiscursivo TerritorialResumo
Este artigo examina, no contexto acreano, as condições territoriais e discursivas que produzem a morte de línguas indígenas não como fenômeno natural ou demográfico, mas como efeito de racionalidades de poder que incidem sobre corpos, territórios e enunciação. O objetivo geral consiste em formalizar e aplicar a categoria analítica Colapso Necrodiscursivo Territorial como operador analítico da Necrolinguística, a fim de compreender a morte linguística como tecnologia de poder. Especificamente, busca-se delimitar conceitualmente essa categoria, identificar no corpus as configurações discursivas que produzem zonas necrolinguísticas e articular a Necrolinguística à arqueogenealogia foucaultiana, em diálogo com a necropolítica de Achille Mbembe. Metodologicamente, a pesquisa adota o método arqueogenealógico, operando, no plano arqueológico, com as categorias de formação discursiva, arquivo, a priori histórico e vida dos homens infames e, no plano genealógico, com ordem do discurso, biopoder, biopolítica, governamentalidade e necropoder. O corpus, delimitado, reúne três materiais sobre enchentes, negligência sanitária e narcotráfico no Acre. Os resultados indicam que a morte linguística se produz por convergência entre devastação territorial, precarização corporal e restrição das condições de permanência do dizer. A análise mostra que enchentes, mortalidade evitável, ausência estatal, cooptação criminal e hierarquização das posições enunciativas desancoram a língua de seus suportes materiais, comunitários e históricos. Conclui-se que a morte de línguas, no caso acreano, deve ser compreendida como processo historicamente produzido de destruição das condições de existência discursiva, o que reforça a Necrolinguística como campo epistemológico e o Colapso Necrodiscursivo Territorial como categoria para analisar a sobrevivência linguística sob regimes de violência e abandono.
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