EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA EM MOVIMENTO
O LABODR/NEABI/UFAC COMO EXPRESSÃO DO MOVIMENTO NEGRO EDUCADOR
Resumo
Este artigo analisa a trajetória e as ações desenvolvidas pelo Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas da Universidade Federal do Acre (LabODR/Neabi/Ufac), compreendendo-o como uma expressão institucional das lutas, dos saberes e das práticas produzidas pelo Movimento Negro Educador. À luz das contribuições de Nilma Lino Gomes (2017), este estudo compreende o Movimento Negro brasileiro como um sujeito coletivo que, para além da luta política, produz conhecimentos, tensiona estruturas historicamente consolidadas e atua na formação de sujeitos e na reeducação da sociedade e de suas instituições. A pesquisa adota abordagem qualitativa e documental (Lakatos; Marconi, 2017), fundamentada na Teoria Racial Crítica (Ferreira, 2014), nas discussões sobre racismo estrutural (Almeida, 2019), colonialidade (Quijano, 2005) e Educação das Relações Étnico-Raciais, tendo como fontes documentos pertencentes ao acervo do Neabi/Ufac. Foram analisadas cinco iniciativas desenvolvidas pelo laboratório, voltadas ao diagnóstico das desigualdades raciais no Acre, à investigação do racismo na Educação Básica, à identificação de práticas pedagógicas antirracistas, à valorização de trajetórias negras por meio dos usos públicos da História e ao acompanhamento das ações afirmativas na pós-graduação stricto sensu da Ufac. Os resultados demonstram que o LabODR/Neabi/Ufac articula pesquisa, formação, intervenção social e produção de contranarrativas, ampliando a circulação de conhecimentos sobre as relações étnico-raciais e oferecendo subsídios para práticas educativas, políticas institucionais e ações de promoção da igualdade racial. Evidenciam, ainda, que suas iniciativas tensionam silenciamentos históricos, questionam a neutralidade dos saberes acadêmicos e reafirmam a presença negra e indígena como força produtora de conhecimento. Podendo assim, concluir que o LabODR/Neabi/Ufac se constitui como território político, pedagógico e epistêmico de continuidade das lutas do Movimento Negro, contribuindo para a construção de uma universidade mais plural, crítica e comprometida com a justiça racial e a transformação social.
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