EM QUESTÃO A REPRESENTATIVIDADE NEGRA EM CARGOS DE GESTÃO - IMPLEMENTAÇÃO DO DECRETO Nº 11.443/2023 NO IFSC
DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A PROMOÇÃO DA EQUIDADE RACIAL
Palavras-chave:
Equidade racial, Decreto nº 11.443/2023, Gestão Pública, Políticas afirmativasResumo
O presente artigo tem por objetivo analisar as estratégias institucionais de gestão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, com foco na promoção da equidade racial e no fortalecimento do clima organizacional, em particular na implementação do Decreto nº 11.443/2023 no IFSC, regulamentado pela Resolução CONSUP nº 149/2025, enquanto uma política afirmativa recente e inovadora entre as instituições da EPT, que intenciona a democratização do acesso de pessoas negras a cargos de gestão (CD) e funções de confiança (FG e FCC), constituindo-se como uma ação institucional voltada à valorização de servidores historicamente sub-representados. Trata-se de um estudo de caso que inclui a metodologia de análise documental de resoluções internas, portarias, atas e dados da Diretoria de Gestão de Pessoas da instituição, interpretados à luz do referencial teórico a partir de conceitos fundamentais, como racismo estrutural, racismo institucional, educação antirracista e políticas públicas, mobilizados a partir de autores como Almeida (2019), Bento (2002), Munanga (2005), entre outros. No âmbito do IFSC, os resultados mostram que a política corresponde a uma meta mínima de preenchimento de 30%, até 30 de dezembro de 2025, nos seguintes cargos: 122 Cargos de Direção (CD), 319 Funções de Confiança (FC) e 178 Funções Comissionadas de Coordenação de Curso (FCC), totalizando o conjunto das posições de liderança da instituição sujeitas à política afirmativa. Trata-se de uma iniciativa necessária, que fortalece a missão dos Institutos Federais, promove justiça social e contribui diretamente para a construção de um ambiente institucional mais inclusivo e equitativo.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Silvio Luiz de. O que é racismo estrutural? São Paulo: Pólen, 2018. Disponível em: https://www.polenlivros.com.br/o-que-e-racismo-estrutural. Acesso em: 15 jul. 2025.
BENTO, Maria Aparecida Silva. Pactos narcísicos no racismo: branquitude e poder nas organizações empresariais e no poder público. 2002. Tese (Doutorado em Psicologia Social) – Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-21062006-100859/. Acesso em: 15 jul. 2025.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.html . Acesso em: 15 jul. 2025.
BRASIL. Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º da Constituição Federal. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 18 nov. 2011. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.html . Acesso em: 15 jul. 2025.
CARNEIRO, SUELI. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 2005. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-20092005-122803/publico/CarneiroSC.pdf . Acesso em: 15 jul. 2025.
FERREIRA, Cíntia Aparecida Alves. Racismo no mercado de trabalho: vivências de mulheres negras. Caderno Espaço Feminino, Uberlândia, v. 35, n. 2, p. 301–315, jul./dez. 2022. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view/68764 . Acesso em: 1 mar. 2025.
GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 37, n. 2, p. 387-404, maio/ago. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edur/a/wcPLnhyn3RszrkMKnQvXLTS/ . Acesso em: 15 jul. 2025.
INSTITUTO FEDERAL DE SANTA CATARINA. Resolução nº 149, de 14 de maio de 2025. Regulamenta o Decreto nº 11.443/2023 no âmbito do Instituto Federal de Santa Catarina. Florianópolis: Conselho Superior do IFSC, 2025. Disponível em: https://sig.ifsc.edu.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=4095294&key=d28c2d0fe9032e5c26f26015ecaaf0c9 . Acesso em: 15 jul. 2025.
MUNANGA, Kabengele (Org.). Superando o Racismo na Escola. 2. ed. Ministério da Educação, Secretaria da Educação e Diversidade, 2005.
NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2020.
RIBEIRO, M. Ações Afirmativas, Cotas Raciais e o Acesso de Negros e Indígenas à Educação Superior no Brasil. 2018. 44 f. Monografia (Graduação em Direito) - Faculdade de Direito, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2018.
SAVAZZONI, Simone de Alcantara. Preconceito, Racismo e Discriminação. Revista do Curso de Direito da Faculdade de Humanidades e Direito, v. 12, n. 12, 2015.
TELES, Edward. Racismo à brasileira: uma nova perspectiva sociológica. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 10, supl. 1, p. 297-318, out. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ha/a/kF3htg9nwk75xJ89nLxycjh/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 15 jul. 2025.
WERNECK, Jurema. Racismo institucional: uma introdução. Rio de Janeiro: Criola, 2016. Disponível em: https://www.criola.org.br/wp-content/uploads/2019/11/Racismo-Institucional-uma-introducao.pdf. Acesso em: 15 jul. 2025.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Samuel de Souza Evangelista, Volmir von Dentz

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os Direitos Autorais para artigos publicados nesta revista são do autor. Em virtude de aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, em aplicações educacionais e não-comerciais.



