VESTÍGIOS RACIAIS
A DESINTEGRAÇÃO DO NEGRO NA FORMAÇÃO SOCIAL-DEMOCRATA BRASILEIRA
Resumo
O presente artigo investiga de que maneira a relação histórica entre o escravismo e a formação da sociedade brasileira contribuiu para a constituição de mecanismos de controle social e para a reprodução de desigualdades raciais no país. Parte-se da compreensão de que o modo de produção escravocrata exerceu papel estruturante na organização econômica, política e social do Brasil, influenciando a formação da sociedade de classes e a consolidação da classe burguesa. Nesse contexto, o estudo busca problematizar a ausência de políticas efetivas de integração da população negra após a abolição da escravização, evidenciando como tal processo resultou na exclusão histórica dos negros da plena participação na sociedade de classes. A pesquisa se justifica pela necessidade de questionar criticamente a narrativa da integração social no Brasil e de compreender como a marginalização da população negra foi naturalizada ao longo da formação social brasileira. O referencial teórico fundamenta-se nas contribuições de Jacob Gorender (1994), Florestan Fernandes (2008) e Cida Bento (2019), autores que analisam, sob diferentes perspectivas, a relação entre escravização, racismo estrutural e desigualdade social. O método utilizado é o materialismo histórico-dialético, por permitir a análise das contradições históricas que articulam classe, raça e trabalho. A metodologia adotada consiste em revisão bibliográfica e documental. Conclui-se que a ideia de democracia racial difundida no Brasil constituiu-se como um mito ideológico, uma vez que a população negra não experimentou, de forma concreta, as promessas de igualdade e inclusão social.
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