INFÂNCIAS NEGRAS
INTERSEÇÕES ENTRE O BRINCAR E OS ESPAÇOS URBANOS
Palavras-chave:
Infâncias Negras, Brincar, Educação AntirracistaResumo
O presente trabalho discute o ato de brincar como atividade fundamental para o desenvolvimento infantil, com foco na experiência de crianças negras em contextos periféricos. A pesquisa justifica-se pela necessidade de tensionar a imagem universal e eurocêntrica da infância, que historicamente negligencia as especificidades e a humanidade da criança negra. O objetivo é refletir sobre como essas crianças transformam o espaço urbano da periferia em “lugar” por meio do brincar, criando vínculos afetivos e estratégias de resistência frente à marginalização e ao racismo estrutural. Metodologicamente, o trabalho se caracteriza como um ensaio teórico de cunho decolonial, fundamentando-se nos aportes de autores como Nilma Lino Gomes, Milton Santos, Abdias do Nascimento e Paulo Freire. As reflexões apontam que a rua, na periferia, constitui um espaço pedagógico de socialização e construção de subjetividades que desafia a lógica do controle e o isolamento dos condomínios modernos. Conclui-se que a educação formal deve reconhecer essa “leitura de mundo” prévia e as potências do corpo-criança em movimento, superando estigmas de indisciplina ou timidez. Ao valorizar o saber de experiência feito no território-lugar, a escola pode promover uma prática pedagógica antirracista e humanizadora, essencial para o fortalecimento da identidade e da cidadania de sujeitos historicamente silenciados.
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