AS POLÍTICAS AFIRMATIVAS NA AMÉRICA LATINA E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O ENFRENTAMENTO AO RACISMO

Autores

  • Aparecido Vasconcelos de Souza Universidade Federal do Paraná

Palavras-chave:

Discurso, Racismo, Ações Afirmativas, América Latina

Resumo

O objetivo deste artigo é demonstrar de que modo as políticas públicas de ações afirmativas têm contribuído para o enfrentamento do racismo e promoção da igualdade racial em alguns países da América Latina. As políticas afirmativas podem ser caracterizadas como um conjunto de leis e de ações que visem corrigir as desigualdades raciais nos campos da educação, da saúde e da imprensa. Por exemplo, as leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatórias o ensino das histórias e das culturas afro-brasileiras, africanas e indígenas nos currículos escolares de todos os níveis de ensino. Além disso, exigem a construção de imagens positivas nos livros didáticos e paradidáticos. Soma-se a esse exemplo, a Lei nº 12.711/2012 que prevê a reserva de 50% das vagas das universidades e institutos federais de educação para estudantes de escolas públicas, para os afrodescendentes, imigrantes, indígenas, povos de comunidade quilombolas. Na América Latina, essas ações começaram a ganhar maior projeção em países como a Argentina, Brasil, Colômbia, Guatemala, México, Peru, Uruguai a partir das lutas dos movimentos indígenas e dos movimentos negros. Essas ações são reflexo do Congresso Internacional de Combate ao Racismo e outras formas correlatas de opressão, que aconteceu em Durban no ano de 2001. Esse marco histórico impulsionou o reconhecimento oficial, por parte do governo de Fernando Henrique Cardoso, de que o Brasil é um país estruturalmente racista, o que levou o Estado a assumir o compromisso de criar políticas de ação afirmativa para superar as desigualdades raciais. Constatamos que na Colômbia, Cuba e Brasil as políticas afirmativas são mais antigas e estimularam pesquisadores e políticos de outros países. Já na Argentina, México, Uruguai essas políticas são mais recentes. O que há de comum em todos os países do continente latino-americano é o imaginário da cultura eurocêntrica construído pelo racismo religioso e pelas políticas de branqueamento que iniciou no final do século XIX. Assim, esta pesquisa contribuiu para pensar os avanços e retrocessos nos processos de reeducação do olhar sobre o passado colonial e superação do racismo. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Aparecido Vasconcelos de Souza, Universidade Federal do Paraná

 Professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestre em Teoria Literária pelo Centro Universitário Uniandrade. Especialista em Educação Especial Inclusiva pela Faculdade Finom. Graduado em Pedagogia (2021), Educação Artística (2005) e Filosofia (2012). Membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do Instituto Federal da Paraíba (Neabi/IFPB). E-mail: cidomarchetaria@gmail.com.

Referências

ARRUTI, José Maurício Andion. Direitos étnicos no Brasil e na Colômbia: notas comparativas sobre hibridização, segmentação e mobilização política de índios e negros. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 6, n. 14, 2000.

BELTRÁN, Gonzalo Aguirre. La presencia del negro en México. Revista del CESLA: International Latin American Studies Review, n. 7, 2005.

CARVALHO, Leonardo Dallacqua de. A identidade da “raça cósmica”: a experiência da eugenia no México. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, 2016.

DE SOUZA, Rolf Ribeiro. As representações do homem negro e suas consequências. Revista Fórum Identidades, Sergipe, ano 3, v. 6, jul./dez. 2009.

GOMES, Nilma Lino; SILVA, Paulo Vinícius Baptista da; BRITO, José Eustáquio de. Ações afirmativas de promoção da igualdade racial na educação: lutas, conquistas e desafios. Educação & Sociedade, Campinas, v. 42, 2021.

GUERRERO, Alicia Castellanos; IZQUIERDO, Jorge Gómez; CASTILLO, Francisco Pineda. El discurso racista en México. In: VAN DIJK, Teun A. (org.). Racismo y discurso en América Latina. Barcelona: Gedisa, 2007.

HOPENHAYN, Martín; BELLO, Álvaro. Discriminación étnico-racial y xenofobia en América Latina y el Caribe. Santiago: CEPAL, 2001.

OCORÓ LOANGO, Anny. Los afrodescendientes en Argentina: la irrupción de un nuevo actor en la agenda política y educativa del país. Revista Colombiana de Educación, Bogotá, n. 69, 2015.

OCORÓ LOANGO, Anny. La emancipación y la descolonización: tensiones, luchas y aprendizajes de los/as investigadores/as negros/as en la educación superior. Práxis Educacional, Vitória da Conquista, v. 15, n. 32, 2019.

OLAZA, Mónica. Políticas públicas y cultura política: reflexiones posibles para des-naturalizar prejuicios, estereotipos y racismo. In: GRIMSON, Alejandro (org.). Culturas políticas y políticas culturales. Buenos Aires: CLACSO, 2014.

OLIVEIRA, Megg R. O silêncio como estratégia ideológica: a invisibilidade negra na história, na arte, nas diretrizes curriculares de Arte para a Educação Básica e no livro didático público de Arte no Paraná. In: Racismo, discurso e educação: estratégias ideológicas. Curitiba: NEAB, 2018.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005.

SILVA, Paulo Vinicius Baptista da. Relações raciais em livros didáticos de língua portuguesa. Educar em Revista, Curitiba, v. 21, n. 26, 2005.

VILLAFUERTE, Elia Avendaño. Afromexicanas: invisíveis e racializadas. Geopauta, Vitória da Conquista, v. 4, n. 3, 2020.

Downloads

Publicado

2026-07-25

Como Citar

Souza, A. V. de. (2026). AS POLÍTICAS AFIRMATIVAS NA AMÉRICA LATINA E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O ENFRENTAMENTO AO RACISMO. Revista Em Favor De Igualdade Racial, 9(3), 38–52. Recuperado de https://periodicos.ufac.br/index.php/RFIR/article/view/8581

Edição

Seção

ARTIGOS