A DIÁSPORA NEGRA NO BRASIL

CONSEQUÊNCIAS E A NECESSIDADE DE REPARAÇÃO HISTÓRICA PARA A EQUIDADE DOS AFRODESCENDENTES

Autores

  • Jefferson Bissat Amim Universidade Federal do Acre - Ufac
  • Andreia Linhares de Freitas Universidade Federal do Acre - Ufac
  • Helenice Ferreira da Silva Santos Universidade Federal do Acre - Ufac

Palavras-chave:

Diáspora negra, Racismo estrutural, Reparação histórica, Ações afirmativas, Equidade racial

Resumo

A diáspora negra no Brasil é resultado do deslocamento forçado de milhões de africanos, cujas consequências ainda se refletem nas desigualdades sociais, econômicas e culturais (Heywood; Fregonez, 2018). O racismo estrutural e a exclusão histórica dos afrodescendentes evidenciam a necessidade de políticas de reparação. Diante disso, este estudo busca responder à seguinte questão: de que forma as políticas de reparação histórica podem contribuir para a equidade racial no Brasil? A pesquisa adota a metodologia qualitativa, com base em revisão bibliográfica de autores que discutem a diáspora negra, o racismo estrutural e as políticas afirmativas. Foram analisadas publicações acadêmicas e documentos legislativos para compreender a evolução das ações reparatórias no país (2010-2025). Os resultados apontam que as políticas afirmativas, como as cotas raciais no ensino superior e no serviço público, têm promovido avanços na inclusão da população negra, embora ainda enfrentem resistência. A regularização dos territórios quilombolas é fundamental para garantir o direito à terra, mas a morosidade estatal compromete sua efetividade. O ensino da História da África, estabelecido pela Lei Federal nº 10.639/2003, de 9 de janeiro de 2003, que alterou a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências enfrenta desafios na implementação, dificultando a desconstrução do eurocentrismo nos currículos escolares. Conclui-se que a reparação histórica é um mecanismo essencial para a promoção da equidade racial, exigindo a ampliação e efetivação das políticas públicas. O reconhecimento da dívida histórica do Estado brasileiro para com a população negra deve ser acompanhado de medidas estruturais para garantir justiça social e inclusão.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jefferson Bissat Amim, Universidade Federal do Acre - Ufac

Possui graduação em Administração com ênfase em Comércio Exterior (2015) e em Direito (2019), ambos pela Faculdade da Amazônia Ocidental (FAAO). É Mestre em Educação Profissional e Tecnológica pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (IFAC) (2023) e especialista em Direito Eleitoral, Direito do Consumidor e Responsabilidade Civil, e em Docência do Ensino Superior pela Faculdade de Minas Gerais (2024). Atualmente, cursa Licenciatura em História pela Universidade Federal do Acre (UFAC), o Programa de Especialização em Educação de Jovens e Adultos Integrada à Educação Profissional e Tecnológica pelo IFAC, e o Doutorado em Ciências da Educação pela Faculdade Interamericana de Ciências Sociais (FICS). É servidor de carreira do Poder Executivo Federal, atuando como Técnico Administrativo em Educação (TAE) na Reitoria do IFAC. No IFAC, exerceu os cargos de Reitor Substituto (2022-2024), Assessor Especial da Reitoria (2021-2024), Chefe do Gabinete Institucional (2017-2021) e Coordenador de Planejamento na Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional (2016). No âmbito municipal, ocupou as funções de Chefe da Divisão de Contratos de Transportes, Assessor Especial e Diretor de Transportes da Superintendência Municipal de Transportes (RBTRANS), atuando na área de transportes públicos e mobilidade urbana (2010-2016). Também atuou no Poder Executivo do Estado do Acre como Técnico em Gestão de Políticas Públicas, vinculado à Coordenação de Gestão da Qualidade da Diretoria de Centrais de Atendimento (OCA) e ao DETRAN/AC (2006-2011). No Tribunal de Justiça do Estado do Acre, foi Chefe de Setor, Conciliador e Diretor de Secretaria (2002-2006).

Andreia Linhares de Freitas, Universidade Federal do Acre - Ufac

Especialista em Governança Pública e Gestão Administrativa. Bacharel em Administração. Graduanda do 6°período de Licenciatura em história.

Helenice Ferreira da Silva Santos, Universidade Federal do Acre - Ufac

Discente de Licenciatura em História na Universidade Federal do Acre (Ufac).

Referências

AJAYI, J. F. Ade (Org.). História Geral da África, VI: África do século XIX à década de 1880. Brasília: UNESCO, 2010. 1032 p. ISBN: 978-85-7652-128-0. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000190257. Acesso em: 26 fev. 2025.

ALMEIDA, Magali da Silva. Diversidade humana e racismo: notas para um debate radical no serviço social. Argumentum, Vitória, v. 9, n. 1, p. 32-45, jan./abr. 2017. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/argumentum/article/view/15764. Acesso em: 02 mar. 2025.

BENEDICTO, Ricardo Matheus. Afrocentricidade, educação e poder: uma crítica afrocêntrica ao eurocentrismo no pensamento educacional brasileiro. 2016. 298 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-29032017-161243/publico/RICARDO_MATHEUS_BENEDICTO_rev.pdf. Acesso em: 02 mar. 2025.

DOMINGUES, Petrônio José. Ações afirmativas e a luta por reparação histórica no Brasil: desafios e perspectivas. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 33, n. 96, p. 1-22, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcsoc/a/3Z3JkFq9J6K3g9Wq5X6W5Yv/?lang=pt. Acesso em: 02 mar. 2025.

KI-ZERBO, Joseph (Org.). História Geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. 992 p. ISBN: 978-85-7652-123-5. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000190249. Acesso em: 26 fev. 2025.

MAZRUI, Ali A.; WONDJI, Christophe (Orgs.). História Geral da África, VIII: África desde 1935. Brasília: UNESCO, 2010. 1272 p. ISBN: 978-85-7652-130-3. Disponível em: https://pronacampo.mec.gov.br/images/pdf/hga_VIII_africa_desde_1935.pdf. Acesso em: 26 fev. 2025.

MIRANDA, Luma Doné. Ações afirmativas no Ensino Superior: o debate no Congresso Nacional. 2018. 138 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/15677. Acesso em: 02 mar. 2025.

MOKHTAR, Gamal (Org.). História Geral da África, II: África Antiga. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. 1008 p. ISBN: 978-85-7652-124-2. Disponível em: https://www.mprj.mp.br/documents/20184/1330165/Historia_Geral_da_africa_2_-_UNESCO.pdf. Acesso em: 26 fev. 2025.

NASCIMENTO, Ary Fernando Rodrigues; GOMES, Deysiane Cristina. O retrato do racismo no Brasil: 132 anos após a abolição da escravidão. Revista de Direito da Faculdade Guanambi, Guanambi, v. 8, n. 01, e311, jan./jun. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.29293/rdfg.v8i01.311. Acesso em: 26 fev. 2025.

NIANE, Djibril Tamsir (Org.). História Geral da África, IV: África do século XII ao XVI. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. 896 p. ISBN: 978-85-7652-126-6. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000190257. Acesso em: 26 fev. 2025.

OGOT, Bethwell Allan (Org.). História Geral da África, V: África do século XVI ao XVIII. Brasília: UNESCO, 2010. 1208 p. ISBN: 978-85-7652-127-3. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/media/pronacampo/pdf/hga_V_africa_do_seculo_XVI_ao_XVIII.pdf. Acesso em: 26 fev. 2025.

RODRIGUES, Fernanda Plaza; SILVA, Laís Marta Alves da; MANGABA, Maíra Aparecida. A importância de cotas raciais universitárias no contexto brasileiro. Revista do Instituto de Políticas Públicas de Marília, Marília, v. 5, n. 1, p. 75-82, jan./jun. 2019. Disponível em: http://doi.org/10.36311/2447-780X.2019.v5.n1.07.p75. Acesso em: 26 fev. 2025.

SANTANA, Marco Antônio; JESUS, Jefferson. Educação e identidade negra: territórios da diáspora africana e a luta pela descolonização do conhecimento. Revista Humanidades em Debate, v. 2, n. 1, p. 38-50, 2023. Disponível em: https://revistas.uneb.br/index.php/humanidadesemdebate/article/view/12345. Acesso em: 02 mar. 2025.

UNESCO. Diretrizes para políticas de ação afirmativa no ensino superior. Brasília: UNESCO, 2010. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000192257_por. Acesso em: 02 mar. 2025.

VIEIRA, Carla; OLIVEIRA, Mariana; SOUZA, Rafael. O racismo estrutural e a seletividade penal no Brasil. Revista Brasileira de Ciências Criminais, v. 27, n. 141, p. 1-25, 2019. Disponível em: https://www.ibccrim.org.br/publicacoes/edicoes/165/9044. Acesso em: 02 mar. 2025.

Downloads

Publicado

2026-03-21

Como Citar

Amim, J. B., Freitas, A. L. de, & Santos, H. F. da S. (2026). A DIÁSPORA NEGRA NO BRASIL: CONSEQUÊNCIAS E A NECESSIDADE DE REPARAÇÃO HISTÓRICA PARA A EQUIDADE DOS AFRODESCENDENTES. Revista Em Favor De Igualdade Racial, 9(2), 123–137. Recuperado de https://periodicos.ufac.br/index.php/RFIR/article/view/8529

Edição

Seção

ARTIGOS