O NEGRO NA SOCIEDADE BRASILEIRA
UM BREVE OLHAR DE TRÊS JOGADORES DE FUTEBOL
Palavras-chave:
Futebol, Jogador negro de futebol, RacismoResumo
Discutir as questões raciais no Brasil constitui um exercício complexo, dadas as múltiplas camadas que envolvem o tema. No entanto, trata-se de um debate indispensável. Este artigo tem como objetivo compreender o racismo a partir da experiência de três jogadores de futebol, com ênfase na reflexão sobre o significado de ser negro na sociedade brasileira. A relevância da pesquisa fundamenta-se na compreensão de que o futebol funciona como um reflexo da sociedade, não havendo dissociação entre o jogo e o contexto social. Nesse sentido, oferecer espaço para que vozes negras expressem suas vivências sobre o racismo contribui significativamente para a compreensão das dinâmicas da violência racial. A proposta vai além do ambiente esportivo, reconhecendo que o racismo não se manifesta apenas durante os confrontos entre adversários, mas permeia estruturas mais amplas da vida social. Do ponto de vista teórico, o artigo apoia-se em autores que abordam criticamente o fenômeno do racismo, como Almeida (2017), ao discutir o conceito de racismo estrutural, e Wieviorka (2007), que contribui com reflexões sobre as diferentes manifestações do racismo, como a discriminação e o preconceito. No contexto específico do futebol brasileiro, recorreu-se aos estudos de Tonini (2010; 2016), entre outros. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com a realização de entrevistas semiestruturadas, conduzidas a partir da seguinte questão norteadora: "O que é ser negro na sociedade brasileira?" Os resultados indicam que dois dos interlocutores reconhecem as dificuldades de ser negro em uma sociedade marcada pelo racismo estrutural. O terceiro, entretanto, demonstra certo distanciamento em relação à temática, o que pode estar associado a uma compreensão limitada das dinâmicas da violência racial, frequentemente atribuída a uma trajetória pessoal de “sorte”. Alternativamente, essa negação pode representar uma estratégia subjetiva de proteção, que visa evitar o enfrentamento das dores causadas pelo racismo.
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