AS METODOLOGIAS ATIVAS COMO PRÁXIS DE UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Autores

  • Heber Guerreiro da Hora Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Campus Xique-Xique - IFBaiano
  • Maria Augusta Vasconcelos Palácio Universidade Federal do Vale do São Francisco - Univasf

Palavras-chave:

Educação Antirracista, Relações Étnicos-Raciais, Metodologias Ativas, Formação de Professores.

Resumo

No que tange às concepções que constituíram as bases do currículo escolar, pode-se dividir a formação do sistema educacional brasileiro em duas fases: inicialmente, durante a época do Império, em que a educação jesuítica prosperou por quase 200 anos e, no segundo momento, quando o português Marquês de Pombal expulsou os jesuítas do Brasil, em que implementou as reformas pombalinas modificando os seus alicerces por meio das aulas régias. Nessas duas fases, tanto a população indígena, que era vista como selvagem e sem alma, tendo seu modo de vida violentamente subjugado pelos dogmas cristãos, quanto a população negra, que teve negado o seu o direito à educação, tiveram suas culturas inferiorizadas e apagadas pela hegemonia do homem branco. Nesse contexto, esse processo histórico forjou a constituição de um currículo eurocentrado. Dessa forma, o presente trabalho objetivou identificar experiências de práticas pedagógicas, mediadas pelas metodologias ativas, que têm como escopo a implementação das leis que instituíram a educação das relações étnico-raciais e suas repercussões na formação continuada de professores. Assim, a metodologia escolhida foi a revisão narrativa de literatura, tendo como bases de dados as plataformas de pesquisas Google Acadêmico/Google Scholar, utilizando-se os descritores “relações étnico-raciais”, “metodologias ativas” e “formação de professores”. Na consecução de tais objetivos, constata-se a existência de práticas, como a integração de tecnologias educacionais e experiências que envolvem a apreensão da história de vida durante as aulas, que podem ser consideradas como antirracistas no mosaico de intervenções pedagógicas e contribuir para a inversão do apagamento e para a promoção da presença negra e indígena no currículo escolar. Além disso, pesquisadores apontam caminhos como orixás que jogam luz à problemática e à urgência no incentivo de ações voltadas ao estudo e ao desenvolvimento de práticas antirracistas no ambiente escolar e nos programas de formação continuada de professores.

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Biografia do Autor

Heber Guerreiro da Hora, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Campus Xique-Xique - IFBaiano

Professor do Ensino Básico Técnico e Tecnológico (EBTT) no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Campus Xique-Xique (IFBaiano). Graduado em Física pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Especialista em Metodologias Ativas de Ensino pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

Maria Augusta Vasconcelos Palácio, Universidade Federal do Vale do São Francisco - Univasf

Professora Adjunta na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Doutora em Educação em Ciências e Saúde pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestra em Alimentos, Nutrição e Saúde pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Graduada em Enfermagem pela Universidade Regional do Cariri (Urca).

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Publicado

2026-01-09

Como Citar

Hora, H. G. da, & Palácio, M. A. V. (2026). AS METODOLOGIAS ATIVAS COMO PRÁXIS DE UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES. Revista Em Favor De Igualdade Racial, 9(1), 78–91. Recuperado de https://periodicos.ufac.br/index.php/RFIR/article/view/8319

Edição

Seção

ARTIGOS