IMAGENS DO POVO NEGRO NO LIVRO DIDÁTICO DE CIÊNCIAS
UMA ANÁLISE AFROCENTRADA POR UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA
Palavras-chave:
Representação Imagética, População Negra, Livro Didático, Ensino de Ciências, AfrocentricidadeResumo
Este artigo analisa as representações imagéticas da população negra no livro didático de Ciências do 7º ano do Ensino Fundamental, adotado pela rede pública de Capistrano-CE (PNLD/2020). Com foco na coleção Inspire Ciências, investiga iconografias relacionadas ao povo negro, fundamentando-se na Afrocentricidade de Asante, no conceito de representação de Chartier (2002b) e em teorias sobre raça, racismo, preconceito e discriminação. A partir de uma abordagem qualitativa e documental, constatou-se que 59,26% das imagens representam pessoas brancas, enquanto 40,74% retratam pessoas negras, revelando sub-representação da população negra, racismo sutil e privilégio simbólico da branquitude. Observou-se, que embora algumas imagens dialoguem com princípios da Afrocentricidade, como a Agência Africana e a Localização Psicológica, esse alinhamento se revela pontual. Conclui-se que o material didático analisado, privilegia a branquitude, reforçando narrativas eurocentradas, tem necessidade de ajustes editoriais para garantir maior equidade racial e fomentar práticas pedagógicas inclusivas, alinhadas aos princípios da Educação das Relações Étnico-Raciais e da Afrocentricidade.
Downloads
Referências
AMARAL. R. B. et al. O livro didático de matemática: compreensões e reflexões no âmbito da Educação Matemática. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2022.
ASANTE, M. K. Afrocentricidade: notas sobre uma posição disciplinar. In: NASCIMENTO, E. L. (Org.). Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009. p. 93-110.
ASANTE, M. K. A Ideia Afrocêntrica Em Educação. Revista Sul-Americana de Filosofia e Educação (RESAFE), [S. l.], n. 31, p. 136–148, 2019. DOI: 10.26512/resafe.vi31.28261. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/resafe/article/view/28261. Acesso em: 23 dez. 2024.
ASSUNÇÃO, H. S. Reflexões sobre perspectivas africanas de gênero. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 58, p. e205813, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8664347. Acesso em: 10 set. 2024.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016. 279 p.
BARROS, D. M. A. Representações dos negros nos livros didáticos de Ciências naturais, em Itapiúna (CE): Ensino Fundamental (6º ao 9º ano). 2021. Dissertação (Mestrado Interdisciplinar em Humanidades), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção, 2021. 320 f.
BARROS, D. M. A. et al. Shades of Color: unveiling the school space through the eyes of black women – an investigation of imagery representations in natural Science textbooks in northern Ceará, Brazil. Research, Society and Development, [S. l.], v. 12, n. 6, p. e16312642129, 2023. DOI: 10.33448/rsd-v12i6.42129. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/42129. Acesso em: 23 dec. 2024.
BARROS, D. M. A. Na perspectiva da afrocentricidade: (des)velando o espaço escolar através dos olhos da pessoa negra - uma investigação das representações imagéticas em livros didáticos de Ciências, Capistrano (CE) - ensino fundamental (6º ao 9º ano). 2024. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino e Formação Docente), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção, 2024. 245 f.
BONIN, I. T; THOMAS, M. S. Para pensar arte indígena no currículo: uma análise a partir de livros didáticos de arte para o ensino médio. In: BACKES, J. L; PAVAN, R. (Org.). Currículo, diferença e fronteiras da exclusão: relações étnico-raciais e de gênero. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2019. Cap. 4. p. 81-106.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Africana”, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. (2004). Parecer n.º CNE/CP 003/2004: Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais. Relatora: Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. Brasília, DF: CNE. http://portal.mec.gov.br/cne(a)rquivos/pdf/003.pdf. Acesso em: 23 dez. 2024.
CARVALHO, A. de C. de. As imagens dos negros em livros didáticos de história. 2006. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006.
CELLARD, A. A análise documental. In: POUPART, J. et al. (Org.). A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. p.295-316.
CHARTIER, R. A história cultural: entre práticas e representações. Tradução de Maria Manuela Galhardo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.
CHARTIER, R. História Cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1988.
CHARTIER, R. À beira da falésia: a história entre incertezas e inquietude. Porto Alegre: UFRGS, 2002a. 277 p.
CHARTIER, R. História Cultural: entre práticas e representações. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Memória e Sociedade, 2002b. 244 p.
CHARTIER, R. O mundo como representação. Estudos Avançados, São Paulo, Brasil, v. 5, n. 11, p. 173–191, 1991. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/8601. Acesso em: 29 set. 2024.
CHOPPIN, A. História dos livros e das edições didáticas: sobre o estado da arte. Educação e Pesquisa, v. 30, n. 3, p. 549–566, set. 2004. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1517-97022004000300012. Acesso em: 15 out.2024.
CRESWELL, J. W; CRESWELL, J. D. Projeto de Pesquisa: métodos qualitativos, quantitativos e mistos. Trad. Sandra M. M. da Rosa. 5ª. ed. Porto Alegre: Penso, 2021. 234 p.
FOUCAULT, M. Microfísica do Poder. Tradução Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1981.
FOUCAULT, M. O cuidado com a verdade. In: MOTTA, M. B. da (Org.). Ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004. Coleção Ditos & Escritos, v. 5, p. 240-251.
GOMES, N. L. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: uma breve discussão. In: Educação anti-racista: caminhos abertos pela Lei Federal 10.639/2003. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. - Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.
GONZALEZ, L. Por um Feminismo Afro-Latino-Americano: Ensaios, Intervenções e Diálogos. Rio Janeiro: Zahar. 2020. 375 p.
HALL, S. Da diáspora: identidades e mediações culturais. 2ª. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.
HIRANAKA, R. A. B; HORTENCIO, T. M. de A. Inspire Ciências. 1ª ed. -São Paulo: FTD, 2018.
IASI, M. Ideologia... quer uma para viver?. In: IASI, M. (Org.). Ensaios sobre consciência e emancipação. Expressão Popular, 2011.
JAMESON, F. Pós-modernismo: uma lógica cultural do capitalismo tardio. Trad. Maria Elisa Cevasco e Iná Camargo Costa. São Paulo: Ática, 2004. 209 p.
MUNAKATA, K. Livro didático como indício da cultura escolar. Revista História da Educação. [S. l.], v. 20, n. 50, p. 119-138, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2236-3459/624037. Acesso em: 25 set. 2024.
MUNANGA, K. Superando o racismo na escola. 2ª. ed. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.
MÜNCHEN, S. et al. A Presença de Mulheres Cientistas em Livros Didáticos de Química. In: Anais do 20º Encontro Nacional de Ensino de Química (ENEQ Pernambuco). Anais...Recife(PE) UFRPE/UFPE, 2021. Disponível em: https://www.even3.com.br/anais/eneqpe2020/247862-a-presenca-de-mulheres-cientistas-em-livros-didaticos-de-quimica/. Acesso em: 10 jul. 2024.
NEVES, V. Democracia e revolução: um estudo do pensamento político de Carlos Nelson Coutinho. 2016. Tese (Doutorado em Serviço Social), Escola de Serviço Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.
NOGUEIRA, O. Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem: sugestão de um quadro de referência para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil. Tempo Social, v. 19, n. 1, p. 287–308, jun. 2006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-20702007000100015. Acesso em: 15 out. 2024.
NUNES, S. da S. Racismo Contra Negros: um estudo sobre o preconceito sutil. Tese (Doutorado em Psicologia), Universidade de São Paulo. 2010. 227 f.
OLIVEIRA, F. F. et al. Representatividade das Mulheres Negras na Ciência: a presença racial nos livros didáticos de Ciências da Natureza e suas Tecnologias do Ensino Médio 2021/2024. Cuadernos de Educación y Desarrollo, [S. l.], v. 15, n. 9, p. 8387–8403, 2023. Disponível em: https://cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/view/1516. Acesso em: 29 out. 2024.
PARAÍSO, M. A. Diferença no currículo. Cad. Pesqui. [online]. 2010, vol.40, n.140, pp.587-604. ISSN 0100-1574. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?pid=S0100-15742010000200014&script=sci_abstract. Acesso em: 3 nov.2024.
RABAKA, R. Teoria crítica africana. In: NASCIMENTO, E. L. (Org.). Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009. p. 129-146.
RODRIGUES, R. Uma crítica da ideologia do racismo. Germinal: marxismo e educação em debate, v. 14, p. 146-167, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.9771/gmed.v14i2.49510. Acesso em: 2 set. 2024.
SANTOS, D. F. dos. et al. Racismo na educação: uma análise das representações da população negra nos livros didáticos de Matemática. Revista Internacional de Pesquisa em Educação Matemática, v. 11, n. 2, p. 30-43, 1 maio 2021. https://www.sbembrasil.org.br/periodicos/index.php/ripem/article/view/2520. Acesso em: 29 set. 2024.
SCHUCMAN, L. V. Entre o Encardido, o Branco e o Branquíssimo: Branquitude, Hierarquia, e Poder na Cidade de São Paulo. São Paulo: Veneta, 2021. 216 p.
SILVA, M. J. Racismo à Brasileira: Raízes históricas. São Paulo, Editora Anita Garibaldi, 3ª edição, 1995. 640 p.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Diego Matos Araújo Barros

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os Direitos Autorais para artigos publicados nesta revista são do autor. Em virtude de aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, em aplicações educacionais e não-comerciais.



