MULHER-MÃE
MATERNIDADE E MATERNAGEM EM QUARTO DE DESPEJO DE CAROLINA MARIA DE JESUS
Palavras-chave:
Maternagem, Maternidade, Feminismo, Quarto de despejo.Resumo
O presente artigo objetiva discutir os conceitos de maternidade e maternagem à luz do feminismo matricêntrico e analisar como esses conceitos se aplicam na literatura negra brasileira, além de analisar também a obra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, especificamente como a maternidade e a maternagem são representadas na obra a partir das personagens femininas. Para tanto, a presente pesquisa contou com embasamento teórico dos seguintes autores: O’ Reilly (2016), Beauvoir (1980), Collier de Mendonça (2021), Santos (2022) e Lemes (2024). Como percurso metodológico adotou-se a pesquisa qualitativa, uma vez que se tratou de exploração e análise de obras literárias pelo viés do feminismo matricêntrico. Por muitos anos, a mulher negra foi representada na literatura como cuidadora dos filhos brancos das suas senhoras, no entanto, em Quarto de despejo, o ato de maternar tanto está ligado às mães biológicas quanto às não biológicas. Carolina foi mãe de resistência, com vontades próprias, mas sempre pensando no bem-estar e na segurança dos filhos. Foi provedora, cuidadora, protetora, acompanhava o desenvolvimento dos filhos, se preocupava com valores, vibrava com as conquistas escolares dos filhos e, de fato, exercia o ato de maternar.
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Referências
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