A CONFLUÊNCIA COMO MÉTODO NAS PESQUISAS NEGRORREFERENCIADAS
DOI:
https://doi.org/10.29327/268346.9.22-16Palavras-chave:
Metodo. Confluência. Pesquisa Negroreferenciada. BionteraçãoResumo
Este artigo-ensaio propõe uma reflexão sobre a discussão sobre método nas pesquisas no campo das ciências humanas, especialmente em educação a partir de uma perspectiva negrorreferenciada. Em diálogo com autoras e autores como Nêgo Bispo, Lélia Gonzalez, Grada Kilomba, o texto interroga os limites do método tradicional eurocentrado, frequentemente imposto como único caminho legítimo para a produção do conhecimento científico. Em contraponto, assume-se a confluência como método princípio político e epistêmico que valoriza os saberes oriundos dos territórios, das experiências e das cosmopercepções afro-diaspóricas. Argumenta-se que o método, longe de ser neutro, carrega os vestígios do colonialismo epistêmico e, por isso, precisa ser tensionado por práticas investigativas enraizadas na vida, na oralidade, na ancestralidade e na corporeidade. A pesquisa negrorreferenciada, nesse contexto, constitui-se como um processo de reexistência, que recusa distanciamentos e hierarquias entre pesquisador e pesquisado, reivindicando uma escuta afetiva, situada e comprometida com a justiça cognitiva. O artigo também propõe o deslocamento da ideia de "pesquisa-intervenção" para a noção de biointeração, compreendida como ética relacional e recíproca entre sujeito, território e natureza. Em última instância, o texto convida a repensar o papel do método como ferramenta de controle e prescrição, reafirmando que contar histórias, partilhar experiências e produzir saberes desde as margens são gestos de humanização e enfrentamento ao racismo que ainda estrutura as ciências humanas no Brasil.
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Referências
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