TRAJETÓRIAS HISTÓRICAS DE DOCENTES NEGROS NA CIDADE DE NITERÓI “ATRAVÉS DA IMPRENSA”
Família Alberto nas páginas de O Fluminense (1878 a 1930)
DOI:
https://doi.org/10.29327/268346.9.22-24Palavras-chave:
Trajetórias. Docentes negros. Imprensa. História da Educação. Niterói.Resumo
No artigo, seguimos “fios e rastros” de trajetórias históricas de três gerações de uma família de professores negros na cidade de Niterói, entre os anos de 1870 e 1930 (Ginzburg, 2007). Procedendo à continuidade de estudos anteriores a respeito do professor Felippe José Alberto Junior (Villela, 2012), incluímos na pesquisa a atuação docente de seus familiares (três filhos, nora e duas netas), respectivamente: Izabel, Lucilla, Carlos, Thereza, Aura e Auta. Para tanto, investimos na perspectiva teórica que valoriza a noção de trajetória, compreendida como processo sempre indeterminado, embora condicionado, de experiências e caminhos indefinidos no campo de possibilidades aberto para os homens e as mulheres em seus deslocamentos nos espaços\tempos sociais (Bourdieu, 2006; Revel, 1996). O que conhecemos sobre essa família de docentes negros até o momento são fragmentos, selecionados a partir de registros produzidos “através da imprensa”, particularmente, no jornal O Fluminense. Por meio da utilização da metodologia de pesquisa nominativa (Ginzburg, 1989), a consulta seriada ao periódico na base digital Hemeroteca da Biblioteca Nacional funcionou como uma bússola para a reconstrução das trajetórias profissionais dos Alberto, das práticas de transmissão familiar do ofício e de suas redes de sociabilidade. Como resultados, defendemos a hipótese de que os Alberto tomaram parte nas lutas seculares das populações negras, nos movimentos sociais pela abolição e pelo acesso à educação em Niterói.
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