CHAMADA - ENSURDECER A PESQUISA NA EDUCAÇÃO DE/COM SURDOS - Submissões até 30/10/26

03.07.2026

A proposta central é deslocar o eixo da pesquisa e da educação dos ouvidos para a visualidade, afirmando a surdez não como deficiência, mas como marca identitária e cultural. Inspirados em autores como Skliar, Perlin e Ladd, os organizadores criticam o paradigma da normalidade e os processos de "anormalização" impostos a sujeitos surdos, negros, LGBTQIAPN+, indígenas e outros grupos historicamente marginalizados. A pluralidade e a diferença são condições de existência, e a educação deve se abrir à alteridade para aprender com ela.

O grande convite do dossiê é inverter a pergunta usual: não se trata de perguntar como a pesquisa pode contribuir com a educação de surdos, mas sim como a Educação de/com Surdos e a pesquisa com pessoas surdas podem contribuir com a educação e a pesquisa de forma geral. A experiência surda, marcada pela visualidade, configura um lugar de enunciação, conhecimento e criação que pode enriquecer, deslocar e pluralizar os fazeres educacionais e investigativos.

Nesse sentido, "ensurdecer a pesquisa e a educação" vai além da inclusão de participantes surdos. Significa transformar a produção do conhecimento, reconhecendo a língua de sinais, o corpo, o espaço e as epistemologias surdas como fontes legítimas de saber. Trata-se de escapar dos modos canônicos baseados na voz, no som e na escrita, investindo em metodologias visuais, territoriais e culturais, especialmente em contextos plurais como os das línguas indígenas de sinais.

Assim, o dossiê convoca pesquisadores, docentes e estudantes, surdos e ouvintes, a partilharem experiências e criações investigativas, fortalecendo a conversa sobre como ensurdecer a pesquisa, uma metáfora viva para a afirmação do sujeito surdo como protagonista na construção de saberes e práticas transformadoras na educação.

Organizadores: Shirley Vilhalva, Tiago Ribeiro e Ricardo Janoario

Submissões até 30/10/26