Chamada Seção Temática: “Mas por favor, respeita meu Orixá. Respeita o povo de santo que eu respeito o seu altar”: inclusão de estudos e pesquisas das religiões de matriz afro-brasileira para além de uma Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER)
“Mas por favor, respeita meu Orixá. Respeita o povo de santo que eu respeito o seu altar”: inclusão de estudos e pesquisas das religiões de matriz afro-brasileira para além de uma Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER)
O presente dossiê busca acolher uma variedade de textos acadêmicos de estudantes (de graduação ou pós-graduação), que sejam professoras/professores ou não, em parceria com seu/sua orientador(a), e que buscam se aventuram nos estudos e pesquisas sobre/com as filosofias e os valores civilizatórios oriundos de religiões de matriz afro-brasileira no contexto educacional e conforme Normas da Revista.
Inspirados pela música “Povo de santo”, gravada por Luciano Bom Cabelo e participação de João Martins (2024), que escancara o racismo religioso, viemos destacar a importância de discutir, em espaços escolares e não escolares, sobre os conceitos de respeito às diferentes crenças religiosas e de tolerância à espiritualidade daquelas/daqueles que resistem, há séculos, a uma contínua tentativa de apagamento de suas crenças, sejam estas pessoas adeptas aos cultos dos Orixás e/ou outras manifestações do sagrado, independentemente de qual rito ancestral seja por elas/eles adotado.
Disto isto, acreditamos que, para se fazer cumprir a aplicação da Lei nº 10.639/2003, bem como da Lei nº 11.645/2008, devemos considerar também as religiões de matriz afro-brasileira como parte integrante do ensino de História e Cultura Afro-brasileira, Africana e Indígena, sobretudo no que se refere à ancestralidade de quem teve negada a sua identidade étnico-raciais, suas origens, crenças e costumes advindos de África enquanto continente que mais influenciou e influencia culturalmente a constituição identitária do povo brasileiro.
Visando aderir este dossiê às possibilidades de publicações que poderiam contemplar a temática em questão, esperamos receber textos que enalteçam experiências de professoras/professores que vivem o “chão da escola”, ou mesmo outros espaços educativos não escolares, para se fazer cumprir as Leis supracitadas. Outras possibilidades seriam: produções que prestigiem relatos de estudantes e/ou professoras/professores acerca de episódios de racismo religioso por elas/eles experienciados; práticas pedagógicas e/ou projetos de extensão que resultaram em ações educativas contra o racismo religioso; ensaios que possam evidenciar como as religiões de matriz afro-brasileiras podem agregar aos princípios éticos, que circundam o viver harmoniosamente em sociedade, sobretudo atreladas aos conceitos de respeito e tolerância; ainda, produções que visam fortalecer o encontro de saberes oriundos do “Povo de santo”, sendo possível também identificar outras expressões similares, como os “Povos de terreiro”, “povo de Axé” etc., com as diferentes vertentes já adotadas pela academia enquanto epistemologias outras.
Para não transparecer que houve intenção de limitar os textos para este dossiê, a somente aqueles que se encaixem especificamente no escopo até então apresentado, deixamos em aberto a possibilidade de submissão de trabalhos que não estejam contemplados nesta breve apresentação, mas que possam prontamente dialogar com a sua proposta central.
Organizadores:
Antônio Cícero de Andrade Pereira – Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
Walkyria Chagas da Silva Santos Guimarães – Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Submissões: até 31/08/2026













