A MONETIZAÇÃO DA VULNERABILIDADE E A ENGRENAGEM INVISÍVEL:
eca digital, juventude e trabalho na civilização algorítmica
Palavras-chave:
Monetização, Vulnerabilidade, Civilização Algoritmica, Industria Cultural, JuventudeResumo
A presente pesquisa analisa a evolução dos direitos da criança e do adolescente no Brasil, estabelecendo um paralelo rigoroso entre o isolamento físico do passado e a superexposição digital do presente. Historicamente, o Estado tratava a juventude vulnerável como uma questão de desordem, o que se evidencia nas antigas instituições de confinamento. Apesar dos avanços com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a mentalidade de se explorar a infância ainda persiste e se instalou nas telas dos celulares. O objetivo central é investigar como as antigas fronteiras entre o palco e os bastidores se romperam, o que transformou a intimidade em um produto lucrativo. A metodologia se apoia em revisão bibliográfica e em análises críticas contemporâneas, unificando os conceitos em blocos temáticos abrangentes. A pesquisa utiliza o pensamento de Karl Marx para debater a mercantilização, Erving Goffman e Paula Sibilia para entender a perda da privacidade, e Byung-Chul Han para explorar o esgotamento. Além disso, se resgata Theodor Adorno e Herbert Marcuse para criticar a exploração do lazer, e Jürgen Habermas para propor a razão comunicativa como uma saída. O trabalho também investiga o caso do influenciador Hytalo Santos como o ápice da monetização da vulnerabilidade infanto-juvenil. Por fim, o estudo examina o novo mercado de trabalho, onde a fuga dos cargos de liderança reflete o adoecimento dos trabalhadores, o que indica que a proteção da vida exige uma resistência coletiva contra a civilização algorítmica.