PRAZERES E PECADOS: A GULA, LUXÚRIA E A IRA EM FILMES GASTRONÔMICOS

Ítalo de Paula Casemiro

Resumo


Esta pesquisa faz uma análise comparativa de dois filmes: Estômago (2007), de Marcos Jorge, e o O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante (1989), de Peter Greenaway. Buscamos mostrar como a cozinha e seus desdobramentos estão intimamente ligados com o desenrolar da trama em ambos os filmes, estabelecendo aproximações e afastamentos entre as suas estruturas narrativas. Através da aplicação da  análise de conversação, observa-se uma semelhança estrutural entre as películas, identificando a existência de três grandes blocos narrativos que se estabelecem no decorrer da trama. Tais blocos são formados pela presença marcante de três pecados capitais que funcionam como articuladores: Gula, Luxúria e Ira. Os elementos principais que conduzem à narrativa e dão forma concreta a esses pecados são a comida e o sexo. A Gula e a Luxúria se relacionam como pecados reversíveis, onde um leva ao outro numa retroalimentação circular e contínua. Essa reversibilidade constante e crescente gera uma frustração com relação à perenidade do prazer - tanto gastronômico quanto sexual, já que ambos vão gradativamente se confundindo ao longo das narrativas -, o que resulta na Ira como o reverso do prazer impossível de se realizar em sua plenitude. A transgressão do interdito, impedida de chegar ao seu final é o ato gerador da Ira que resolve a tensão dessa impossibilidade pela violência.

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Referências


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